terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Corrida
Fim de ano é um funil. Quanto mais perto chega o dia 31 de dezembro, mais apertado tudo parece. Resoluções a tomar (os tais planos para o ano seguinte), presentes para comprar, tudo para ver, casa para arrumar, árvore para montar, confraternizações, celebrações... É uma pressa e parece que não vai dar tempo, que não vamos chegar, que não vamos conseguir. Ficamos cansados só de pensar em tudo o que temos que fazer e travamos uma disputa insana com nós mesmos, como se quisessemos provar que somos capazes, que damos conta. E no meio dessa insanidade toda a vida vem e mostra que não adianta planejar nada, que você não tem o menor controle sobre as coisas e aí é forçado a parar. Porque alguém muito querido (de alguém também muito querido) foi-se embora. E a única coisa que você pode fazer é estender sua mão e dizer que está ali e que sabe que aquele sofrimento todo vai ser transformado em algo positivo. Porque é assim que é. Aí quando acha que aconteceu tudo o que tinha para acontecer, o telefone toca e do outro lado mais uma notícia daquelas ruins, que mexem, que evocam questionamentos, revoltas. E sua vontade é sair correndo e se enfiar num buraco, num avião, num foguete rumo ao desconhecido. Mas não tem jeito e o máximo que se faz é ir para casa mais cedo, tomar um remédio para relaxar e dormir. O dia seguinte chega, você levanta da cama, levanta a cabeça e vai andando (de preferência sorrindo) até o dia de atravessar o funil, por mais apertado que ele seja ou esteja. Saímos dele com a roupa meio amassada e a cara torta. Mas enfim, passamos. Conseguimos mais uma vez. Porque é sempre bom começar tudo de novo.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Pretexto
Ela queria estar diferente aquele dia. Pensou em voltar a ser loira. Viu algumas fotos de anos antes e desistiu na hora. Foi fazer as unhas. Com os pés pintados de vermelho, não queria repetir a cor nas mãos. Chegou no salão e logo decidiu: prata. E assim, unhas prateadas, foi ao encontro dele. Na hora, ele não falou nada e outros assuntos e risadas encheram aquela noite. Tudo parecia igual, mas ela reconhecia as diferenças. Estava sem paciência e, quando percebeu, nem estava mais ali, não fazia mais parte. No dia seguinte, voltaram a se encontrar no mesmo lugar de sempre e, já no caminho para casa depois de mais uma rodada de besteiras e cervejas, ele virou e disse:
- Que esmalte é esse? Ficou muito esquisito.
- Eu também odiei, mas quis mudar, tentar algo diferente.
- Você fica melhor com unhas vermelhas.
- Gosto mais também. Mas esmalte a gente tira, coloca outro. Agora eu sei que eu não gosto dessa cor e não vou passar de novo.
E encerramos a conversa. Em casa, depois de uma despedida sem graça e deitada em sua cama, percebeu que era hora mesmo de mudar. De arriscar novas cores de esmalte, outros temperos e sentimentos à sua vida. Semana que vem talvez ela passe azul-marinho ou verde-militar. Caso não fique bom, sem problemas. Dá para trocar. Sempre.
- Que esmalte é esse? Ficou muito esquisito.
- Eu também odiei, mas quis mudar, tentar algo diferente.
- Você fica melhor com unhas vermelhas.
- Gosto mais também. Mas esmalte a gente tira, coloca outro. Agora eu sei que eu não gosto dessa cor e não vou passar de novo.
E encerramos a conversa. Em casa, depois de uma despedida sem graça e deitada em sua cama, percebeu que era hora mesmo de mudar. De arriscar novas cores de esmalte, outros temperos e sentimentos à sua vida. Semana que vem talvez ela passe azul-marinho ou verde-militar. Caso não fique bom, sem problemas. Dá para trocar. Sempre.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Questão de tempo
Você sabe quando o fim chega. E não apenas pelos sinais: o beijo na boca que quase não acontece, o carinho que não vem, o sexo mecânico, as piadas que perdem a graça. Muito mais do que isso: você sente. Sabe. Só que você não quer aceitar de jeito nenhum e se finge de morta, deixando tudo assim, sem sabor, sem gosto, sem cheiro. Vai levando, sentada, à espera de um milagre que possa recuperar toda aquela história que já foi boa e linda. Até que numa sexta-feira, que pode ser quinta, segunda ou domingo, o fim se materializa. E aí você tem que ir pro banheiro chorar porque não quer se humilhar na frente dele. Mesmo sabendo que é o certo a fazer, você não aceita, não quer e aí decide se humilhar e implorar para ele voltar. Pomete que vai mudar, que tudo voltará a ser como antes, que você deixará de fazer o que fazia, que se transformará em outra pessoa. Sem nem perceber, usa todos os clichês dos filmes e das novelas mexicanas. No dia que ele vai arrumar a janela que você quebrou depois de um ataque de fúria, pergunta se vocês vão ficar juntos de novo e ouve: hoje não, mas não sei o que vai acontecer no futuro. É quando você muda de tática e passa a armar barracos, ligar desesperadamente, xingar. Você tem raiva e quer matar aquele homem que está fazendo você sofrer, que te abandonou, que te deixou com dor. Como este sujeito pode deixar alguém tão incrível como você? Você não entende e nessas passa a se agredir. Fuma demais, bebe demais, sai pela rua feito um kamikaze, na tentativa de respostas. Nada disso adianta e você volta para casa para dormir um sono agitado e acordar pior do que quando saiu. O fim dói e dói muito e não há analgésico, antidepressivo, capaz de tirar aquela dor. E quando você chega no seu limite, quando o elástico está quase arrebentando e você pensa em desistir de tudo, você acorda e percebe que está tudo bem, que você está viva, que sobreviveu. É quase uma mágica. Tudo volta a fazer sentido e você tem fé de que as coisas vão dar certo. A vida passa a ter brilho de novo, você resplandece. Redescoberta, transformada, reconstruída, você anda em direção ao futuro. No meio do caminho, alguém te dá a mão e, sem nem perceber, vocês estão indo juntos rumo ao desconhecido. Sem pensar em fim, em dor, em nada.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Dia a dia
Quando a gente gosta de alguém descobre sempre alguma coisa bonita na pessoa. Seja dentro ou fora. Ontem, ele descobriu as batatas da minha perna.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Estomaguinho
Acho que todo mundo que me conhece sabe: eu sou operada. Não, eu não mudei de sexo. Mas há seis anos uma grande mudança aconteceu comigo. E até engraçado falar disso atualmente, já que as cirurgias para reduzir o estômago são mais frequentes e as técnicas bem mais evoluídas. Parece até carne de vaca, lugar comum. Só que tem gente ainda com dúvida, acha esquisito e, outro dia, um colega veio me perguntar sobre a operação, saber se devia ou não fazer. Pra mim, posso falar que foi uma das melhores coisas da vida. Uma mudança física que implicou em transformações psicológicas e emocionais incríveis. Tinha 1,58m, 105 quilos, IMC de 35 e uma séria candidata a tomar remédio pra pressão, desenvolver diabetes, colesterol e hipertensão (filha de pais com essas doenças) com 30 anos.
Isso sem falar da minha gravidez: tive pré-eclâmpsia e, por conta de uma pressão alta gestacional, a Luiza nasceu prematura - em 2002 - e passei 8 meses assustada, com medo. Um dia acordei e, incentivada pela Daniela Paulino, que também havia feito, decidi que era a minha hora. Fiz os exames, passei pelas avaliações (nutricional e psicológica) e no dia 2 de dezembro de 2004 lá tava eu, entrando na faca. Os primeiros dois meses foram terríveis, devo confessar. Você tem que reaprender a comer, a se relacionar com a comida, com você, com os outros. Mas digo que vale a pena. Do meu guarda-roupa só sobraram as meias e até alguns sapatos eu tive que doar porque ficaram largos.
Eu sou um case de sucesso e toda vez que volto ao meu médico, o Dr. Leal, (procuro fazer isso uma vez por ano) ele diz isso. Mantenho meu peso entre 60 e 65 quilos (atualmente estou com 60,700 gramas) e digo com certeza que nunca mais serei gorda. Não quero mais comprar calça 52/54, não pretendo entrar numa loja e procurar roupas especiais. E olha, que há seis anos, a oferta para as gordinhas não era nem de longe o que temos hoje. Gordo se vestia com túnicas e pronto.
Sou uma pessoa vaiodosa e, mesmo com todo aquele peso, nunca abri mão dos meus saltos. Mas confesso que hoje é uma delícia entrar num manequim 42 e chegar numa loja qualquer para comprar uma roupa. Quando eu digo que não serei mais obesa eu sei do que estou falando. Porque se eu me descuidar, comer doces e carboidratos feito uma louca, eu vou engordar. Assim como qualquer pessoa que abusa de vez em quando, eu fecho a boca para compensar. Não como tão pouquinho, como normal, diria. Demoro mais pra mastigar? Sim, mas nada tão radical. Como e bebo de tudo.
Diferentemente de algumas pessoas que encararam uma redução de estômago não tenho restrição a nada. Tá, farofa é um bagulho que eu como pouco, porque costumo me entalar. Também evito alimentos gordurosos, que me provocam o famoso dumping (quando o açúcar é metabolizado muito rápido, causando um puta mal-estar). No resto, tudo de boa. Tomo um Centrum por dia, mas prefiro um polivitamínico a um anti-hipertensivo, não resta a menor dúvida.
Sei que minha cirurgia deu certo porque nunca fui compulsiva por comida. Comia errado. Não operei a cabeça, mas ela mudou muito desde então. E pra melhor. Podia ter feito o combo atividade física e dieta? Podia. Só que quanto tempo eu demoraria para emagrecer os 45 quilos que eu mandei embora em alguns meses? Teria paciência? Fiz o que achei melhor na época e tive o apoio da família e dos amigos. Preciso agora tomar coragem para fazer uma plástica, mas morro de medo, vai entender. Um dia, assim como aconteceu com a gastroplastia, eu acordo no espírito e decido fazer.
Isso sem falar da minha gravidez: tive pré-eclâmpsia e, por conta de uma pressão alta gestacional, a Luiza nasceu prematura - em 2002 - e passei 8 meses assustada, com medo. Um dia acordei e, incentivada pela Daniela Paulino, que também havia feito, decidi que era a minha hora. Fiz os exames, passei pelas avaliações (nutricional e psicológica) e no dia 2 de dezembro de 2004 lá tava eu, entrando na faca. Os primeiros dois meses foram terríveis, devo confessar. Você tem que reaprender a comer, a se relacionar com a comida, com você, com os outros. Mas digo que vale a pena. Do meu guarda-roupa só sobraram as meias e até alguns sapatos eu tive que doar porque ficaram largos.
Eu sou um case de sucesso e toda vez que volto ao meu médico, o Dr. Leal, (procuro fazer isso uma vez por ano) ele diz isso. Mantenho meu peso entre 60 e 65 quilos (atualmente estou com 60,700 gramas) e digo com certeza que nunca mais serei gorda. Não quero mais comprar calça 52/54, não pretendo entrar numa loja e procurar roupas especiais. E olha, que há seis anos, a oferta para as gordinhas não era nem de longe o que temos hoje. Gordo se vestia com túnicas e pronto.
Sou uma pessoa vaiodosa e, mesmo com todo aquele peso, nunca abri mão dos meus saltos. Mas confesso que hoje é uma delícia entrar num manequim 42 e chegar numa loja qualquer para comprar uma roupa. Quando eu digo que não serei mais obesa eu sei do que estou falando. Porque se eu me descuidar, comer doces e carboidratos feito uma louca, eu vou engordar. Assim como qualquer pessoa que abusa de vez em quando, eu fecho a boca para compensar. Não como tão pouquinho, como normal, diria. Demoro mais pra mastigar? Sim, mas nada tão radical. Como e bebo de tudo.
Diferentemente de algumas pessoas que encararam uma redução de estômago não tenho restrição a nada. Tá, farofa é um bagulho que eu como pouco, porque costumo me entalar. Também evito alimentos gordurosos, que me provocam o famoso dumping (quando o açúcar é metabolizado muito rápido, causando um puta mal-estar). No resto, tudo de boa. Tomo um Centrum por dia, mas prefiro um polivitamínico a um anti-hipertensivo, não resta a menor dúvida.
Sei que minha cirurgia deu certo porque nunca fui compulsiva por comida. Comia errado. Não operei a cabeça, mas ela mudou muito desde então. E pra melhor. Podia ter feito o combo atividade física e dieta? Podia. Só que quanto tempo eu demoraria para emagrecer os 45 quilos que eu mandei embora em alguns meses? Teria paciência? Fiz o que achei melhor na época e tive o apoio da família e dos amigos. Preciso agora tomar coragem para fazer uma plástica, mas morro de medo, vai entender. Um dia, assim como aconteceu com a gastroplastia, eu acordo no espírito e decido fazer.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Campanha de imunização
Tem gente que é contaminado com a maior facilidade pelo vírus da reclamação. Pode reparar. No ambiente profissional, então. Pessoa é contratada para determinada função e começa toda animada. Colegas mais antigos, portadores do tal vírus, passam a fazer comentários ruins, a falar disso, daquilo, a meter o pau do local de trabalho. E o cara que "chegou ontem", como a gente costuma dizer, tem seu fogo motivacional apagado e, sem nem perceber, está totalmente contaminado e apresentando os sintomas da doença de reclamar. Nenhum ambiente de trabalho é perfeito, e aliás, perfeição é um conceito que existe em um único lugar: na nossa cabeça. Não digo que ninguém deve reclamar, desejar um local melhor, se conformar com as situações que considera erradas. Não é nada disso. Só acredito que não dá para passar oito, dez, doze horas de nossos dias nessa sintonia ruim, de só meter o pau. Assim como bom humor e sorrisos operam verdadeiras transformações positivas no nosso dia a dia, o rancor e a cara amarrada, também fazem isso, só que num sentindo inverso terrível. Você não está gostando do lugar onde trabalha, acha que merece algo melhor, é muito bom para o que está fazendo, está cansado de fazer sempre a mesma coisa? Então é simples: vá procurar algo que o faça feliz. Quem é competente encontra um espaço. E outra coisa muito feia é sempre ficar de olho no outro, achando que o colega do lado recebe mas benefícios e você é um injustiçado. Olhe para trás, veja o que essa pessoa já passou e o que levou ela estar no lugar onde está. Tudo bem, algumas vezes eu até concordo que gente sem talento se dá bem. Mas sei lá, uma hora a máscara cai e a farsa acaba sendo descoberta. Pode parecer clichê esse negócio de fazermos um ambiente bom ao nosso redor, mas não é. O trabalho, por mais difícil ou complicado que seja, flui muito melhor se você está vacinado contra o vírus da reclamação. Tome logo sua vacina e fique imunizado. Os colegas que também receberam sua dose e estão bem, felizes desempanhando suas funções, agradecem.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Na balada da nossa vida
Aquela música Acontecimentos, da Marina, tem uma frase sensacional: "e quando anoitece é festa no outro apartamento". É tão engraçado isso, como idealizamos a vida dos outros como perfeitas, e é difícil imaginar que existem pessoas que acham a mesma coisa da vida gente. Temos uma tendência tão grande de nos subestimar, de nos achar piores do que realmente somos. Não se trata de uma competição de quem é o melhor, o mais bonito, o mais resolvido. Não é inveja, nada disso. Inconscientemente, desmerecemos nossas vidas, nossas escolhas, sempre achando que no vizinho tudo tem mais qualidade. Só que não é assim, né? Todo mundo tem problemas, fantasmas e às vezes passa noites insones revisitando a vida, os pensamentos. Acontece comigo, com você e com o cara que está dando a festa. Então, antes de enaltecer a vida de alguém, olhe ao seu redor, dentro de você. Podia estar ou ser melhor? Claro e isso é um fato. Mas lembre-se de que tem sempre alguém achando que é dentro da sua casa que rolam as melhores comemorações...
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Sentido
Lembro bem a roupa que eu usava, um vestido de alça listrado, preto e cinza, naquela quente sexta-feira 6 de novembro. Foi engraçado chegar e encontrar tantos rostos desconhecidos e aquela animação que no começo pouco me contaminou. Sentei-me no banco desconfortável do balcão e tentei me familiarizar com o ambiente. Muitos olhos me olhavam e eu ali, disfarçando naturalidade. Já era noite quando, mais relaxada depois de uns copos americanos que não se esvaziavam nunca de cerveja, notei que ele fazia parte daquele núcleo. Saímos para fumar, conversamos um pouco e voltei ao lugar que já considerava como meu. Foi aí que um engraçadinho, fazendo comentários de mau gosto sobre mulheres brasileiras, despertou sua ira. Não demorou para eu sair dali, de volta à minha casa. Oito meses depois numa festa, o reencontro. E, sentada ao seu lado, comendo peixe que ele havia servido para mim, puxei assunto. Falamos sobre o Mainah, sobre política, sobre trabalho, filhos, até que ele precisou ir embora, não sem antes pedir meu telefone e levar meu cartão. Numa segunda-feira nem tão qualquer assim, enquanto um grupo de pagode cantava e tocava incansavelmente, driblamos o barulho com conversas ao pé do ouvido. Nunca mais paramos de conversar, acrescentando outros verbos e substantivos à nossa história. Páginas em branco, e não importa quantas, nos aguardam.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Aviso ao navegante
Quando eu parar de me importar é como se você nunca tivesse existido. Eu te congelo, mando embora, de todos os lugares. Por isso, acho bom você prestar atenção e fazer sua parte, sua lição de casa. Mas capricha na letra pois eu não suporto garranchos, respostas em branco e, principalmente, aquela folha suja que a borracha vagabunda não conseguiu apagar. Estou só alertando para que você saiba direito com quem está lidando e não reclame depois de que não foi avisado. Sou do tipo que vai embora e não dá tchau, me permitindo em casos extremos, a falta de educação. Sair sem pedir licença é o único remédio capaz de evitar meu sofrimento.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Fica a dica
Engraçado como as pessoas se acomodam. Na vida profissional, nos relacionamentos afetivos, de amizade, familiar. Esquecem que dar mais energia é fundamental para que haja algum crescimento. Sim, somos plantas e precisamos de água, adubo, sol. Mas também queremos tempo, compreensão, atenção, aquele melhor, o diferencial que nos torna especiais. Muitas vezes as coisas acabam por falta de cuidado e depois que vão embora, a gente fica com saudade, remoendo, pensando nos "e se" da vida. Então, sair da zona de conforto é fundamental. Seu namoro/casamento está bom? Que ótimo! Mas ele pode ficar melhor com um chocolate ou um torpedo inesperado no meio da tarde. Sua amiga está com a vida tranquila? Que ótimo! Mas ela adoraria receber um email seu ou mesmo um telefonema. É um arraso na sua área de atuação, tem certeza de que é um bom profissional? Que ótimo! Mas aposto que seu chefe vai ficar satisfeito com uma ideia diferente ou mesmo com uma apresentação inovadora de um projeto. A família vai bem, todos estão com saúde, obrigada? Que ótimo! Mas não custa almoçar na sua mãe no domingo ou dar um alôzinho para aquele seu irmão que mora em outra cidade, outro país. Faça alguma coisa, seja o que for. Saia da mesmice, do comodismo. Surpreenda. Porque quando menos se espera, o outro (seu emprego, seu amor, o amigo, um parente) que você julgava com a maior segurança SER SEU, não estará mais por perto.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Amar
A gente se freia o tempo todo. Evita falar, evita sentir, evita viver. Não dança conforme a música, não canta no ritmo. Prefere o descompasso, a nota em falso. Freio pra todo lado, pra todo sentir. Até o carro tem dois freios. E pra que tudo isso, pra que tanto medo de seguir? Porque quando a gente não vai, de alguma forma é empurrado, ainda que esteja em ponto morto. Porque o tempo corre e quando nos damos conta já é Natal e mal fechamos os olhos estamos no ano que vem. Uma hora qualquer chega o tempo de ir para frente, de se jogar sem medo na vida e isso inclui sentir e sentir muito. Amar incansavelmente, ser intenso, ser de verdade. Mas o que fazer se formos jogados no abismo, no fundo do poço? Cair, levantar, dar um tempo para arrumar as feridas, ir novamente em busca do desconhecido. Porque eu sei que chega um momento em que temos tanto amor dentro de nós, que somos capazes de tudo. Inclusive de voar.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Mudar
De vez em quando precisamos fazer mudanças. No fundo acredito que todos os dias fazemos pequenas dessas mudanças dentro de nós. Mudamos uma opinião, comemos uma coisa diferente, aprendemos algo, ouvimos uma palavra nova, um cheiro, uma música... e tudo isso, de certa forma, vai nos transformando. Só que de vez em quando precisamos encarar mudanças mais emblemáticas. Aquelas físicas. Temos que mudar de casa, por exemplo. Ou então precisamos mudar algo em nosso dia a dia de forma efetiva. Estou exatamente nessa fase. Como alguns aqui sabem, eu e Luiza almoçamos todos os dias na casa da minha mãe antes de ir para o trabalho e para escola. Comemos a comida mais saudável do mundo, feita com o maior carinho pela dona Lilian. Trata-se de hábito, algo já natural. É lá que a tia Rosinha, da perua, passa para buscar a Luiza e levá-la à escola. É lá que no final da tarde ela retorna. Assim, posso fazer meus horários no trabalho porque sei que minha mãe ou minha irmã está por perto para mandá-la para escola ou mesmo recebê-la. Tem sido assim desde que voltei a trabalhar quando Fifi tinha 5 meses (ela acabou de fazer 8 anos). Tenho todo o suporte das duas para me ajudar com a Luiza, inclusive, em algumas vezes, para eu dar uma saidinha. Minha irmã está cuidando da vida dela e está certíssima, não tem obrigação nenhuma. Minha mãe e aí é que chego ao que quero falar, está podendo cada vez menos me dar essa força. Não porque ela não queira. Mas por não poder, de verdade. As pessoas vão fenecendo na nossa frente, sofrendo limitações físicas aqui, ali. Ao mesmo tempo em que é bom poder estar ao lado (e devemos agradecer, sempre) é triste acompanhar de perto, especialmente quando já existiu tanta vitalidade. Vou ter que arrumar uma marmita, refazer alguns horários, isso até o final do ano. Porque em 2011 talvez as mudanças precisem ser ainda mais drásticas (uma escola em período integral para a Luiza, por exemplo). Não estou fazendo disso um drama – longe disso ou mesmo reclamando. Claro que de vez em quando cansa ter que fazer isso sozinha, afinal, o pai dela só a pega a cada 15 dias e não participa efetivamente dessa rotina louca de inglês, natação, lição, jazz... Tá, de vez em quando ele passa uma semana com ela, como aconteceu recentemente, nas minhas férias. Só que no final, acaba tudo em minhas mãos. Mas que bom ter a lucidez de tomar essas decisões sem me desesperar, que bom poder contar com amigos e com pessoas especiais que podem me acalmar e até me dar conselhos. Serão mudanças de verdade, inclusive financeiras, porque vou gastar mais, obviamente (e não poderia ser diferente neste Brasil). Mas isso a gente dá um jeito, de alguma maneira. O que me deixa chateada, de verdade, não é ter que fazer isso, mas o motivo que me leva a essas mudanças. Enfim, mudanças. E que sejam bem-vindas, como foram todas que aconteceram em minha vida e na vida da Luiza.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Luiza, a Fifi
Fiz esse texto pra Fifi, há anos... Ela tinha dois anos e pouco.. agora, ela tem 8. E continua uma joaninha enfeitando cogumelos!!!!!
Eu tinha 11 anos. Lembro que ouvi a mãe chamando: “Luiza, vem cá”. Paixão à primeira vista. Jurei que teria uma Luiza na minha vida. Era dia 20 de fevereiro de 2002, um dia antes do meu aniversário de 28 anos. Vinha de um processo doloroso e depressivo. Com idas e vindas, recaídas e problemas. O resultado “reagente” foi assustador. Mas foi a partir deste dia que a minha vida mudou de verdade.
Luiza (sempre soube que seria ela) me trouxe de volta: aos planos, ao trabalho, ao amor incondicional. Luiza nasceu iluminada, em uma terça-feira, às 17h58 do dia 8 de outubro. Tão pequena, tão indefesa, prematura. Mas tão forte, capaz de fazer de mim uma pessoa melhor.
Luiza fez 3 anos ontem. Cada vez menos precisando de mim. Cada vez mais requerendo meu controle, meu exemplo. Olho para seus olhos grandes e expressivos. Percebo que ela se orgulha da mãe que tem. Da mãe que conseguiu criar tão de repente.
Luiza é milha filha. Luiza é minha amiga. Luiza é a neta da Dodó Claudia e da Dodó Lilian. É a sobrinha dos tios a quem tanto ama e dá carinho. É a neta do Dudu Zé e a bisneta mais perfeita para seus quatro bisavós. Luiza é a prima ideal para seus primos.
Luiza tem lá seus defeitos. Luiza é uma mistura do meu temperamento difícil, minha boca, meu nariz, com o corpo esguio e os sonhos meio impossíveis do pai.
Sim, Luiza já sonha. Às vezes - e é uma pena - tem pesadelos que a acordam no meio da noite. Luiza faz carinho enquanto a gente dorme. Luiza dorme abraçada com uma joaninha de pano, a quem apelidou, desde muito pequena, de Cuncun. A vida da Luiza é cheia de cuncuns. Ela é uma cuncun: que voa, que pousa, que enfeita cogumelos, que deixa a vida mais redonda, mais meiga, mais dócil.
Luiza não toma leite de vaca. Luiza gosta dos derivados de soja, de balas molinhas, de pipoca e de docinhos. “Quero alguma coisa gostosa para comer, mamãe”, me avisa ela abrindo a geladeira. Luiza já conhece letras, números e digita seu nome no computador quando vai jogar no site da Barbie. Luiza adora Barbies, principalmente as que têm asa, assim como ela. Diz Dani, minha amiga e, desde a gravidez, amiga da minha filha, que “ela tem uma alma antiga”.
Luiza é amor. Por onde passa, exala amor. Até quando não percebe, até quando não quer dar um beijo naquela tia que acabou de conhecer. A Luiza não tem medo de encarar o teu olho, seja você quem for. Ela diz que vai virar homem quando crescer, que vai ter barba e bigode. E quem sou eu para duvidar de Luiza?
Eu tinha 11 anos. Lembro que ouvi a mãe chamando: “Luiza, vem cá”. Paixão à primeira vista. Jurei que teria uma Luiza na minha vida. Era dia 20 de fevereiro de 2002, um dia antes do meu aniversário de 28 anos. Vinha de um processo doloroso e depressivo. Com idas e vindas, recaídas e problemas. O resultado “reagente” foi assustador. Mas foi a partir deste dia que a minha vida mudou de verdade.
Luiza (sempre soube que seria ela) me trouxe de volta: aos planos, ao trabalho, ao amor incondicional. Luiza nasceu iluminada, em uma terça-feira, às 17h58 do dia 8 de outubro. Tão pequena, tão indefesa, prematura. Mas tão forte, capaz de fazer de mim uma pessoa melhor.
Luiza fez 3 anos ontem. Cada vez menos precisando de mim. Cada vez mais requerendo meu controle, meu exemplo. Olho para seus olhos grandes e expressivos. Percebo que ela se orgulha da mãe que tem. Da mãe que conseguiu criar tão de repente.
Luiza é milha filha. Luiza é minha amiga. Luiza é a neta da Dodó Claudia e da Dodó Lilian. É a sobrinha dos tios a quem tanto ama e dá carinho. É a neta do Dudu Zé e a bisneta mais perfeita para seus quatro bisavós. Luiza é a prima ideal para seus primos.
Luiza tem lá seus defeitos. Luiza é uma mistura do meu temperamento difícil, minha boca, meu nariz, com o corpo esguio e os sonhos meio impossíveis do pai.
Sim, Luiza já sonha. Às vezes - e é uma pena - tem pesadelos que a acordam no meio da noite. Luiza faz carinho enquanto a gente dorme. Luiza dorme abraçada com uma joaninha de pano, a quem apelidou, desde muito pequena, de Cuncun. A vida da Luiza é cheia de cuncuns. Ela é uma cuncun: que voa, que pousa, que enfeita cogumelos, que deixa a vida mais redonda, mais meiga, mais dócil.
Luiza não toma leite de vaca. Luiza gosta dos derivados de soja, de balas molinhas, de pipoca e de docinhos. “Quero alguma coisa gostosa para comer, mamãe”, me avisa ela abrindo a geladeira. Luiza já conhece letras, números e digita seu nome no computador quando vai jogar no site da Barbie. Luiza adora Barbies, principalmente as que têm asa, assim como ela. Diz Dani, minha amiga e, desde a gravidez, amiga da minha filha, que “ela tem uma alma antiga”.
Luiza é amor. Por onde passa, exala amor. Até quando não percebe, até quando não quer dar um beijo naquela tia que acabou de conhecer. A Luiza não tem medo de encarar o teu olho, seja você quem for. Ela diz que vai virar homem quando crescer, que vai ter barba e bigode. E quem sou eu para duvidar de Luiza?
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Eu ia escrever um post imenso sobre um treco aí que tá me incomodando. Mas aí ouvindo Maria Rita eu me deparo com esta música. E pronto. É isso o que eu queria dizer.
Muito pouco
Pronto
Agora que voltou tudo ao normal
Talvez você consiga ser menos rei
E um pouco mais real
Esqueça
As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco
Do muito que a vida traz.
Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
Chega!
Não me condene pelo seu penar
Pesos e medidas não servem
Pra ninguém poder nos comparar
Porque
Eu não pertenço ao mesmo lugar
Em que você se afunda tão raso
Não dá nem pra tentar te salvar
Porque muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero ...
...veja
A qualidade está inferior
E não é a quantidade que faz
A estrutura de um grande amor
Simplesmente seja
O que você julgar ser o melhor
Mas lembre-se que tudo que começa com muito
Pode acabar muito pior
E muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
Pouco eu não quero mais.
Pouco eu não quero mais.
Muito pouco
Pronto
Agora que voltou tudo ao normal
Talvez você consiga ser menos rei
E um pouco mais real
Esqueça
As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco
Do muito que a vida traz.
Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
Chega!
Não me condene pelo seu penar
Pesos e medidas não servem
Pra ninguém poder nos comparar
Porque
Eu não pertenço ao mesmo lugar
Em que você se afunda tão raso
Não dá nem pra tentar te salvar
Porque muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero ...
...veja
A qualidade está inferior
E não é a quantidade que faz
A estrutura de um grande amor
Simplesmente seja
O que você julgar ser o melhor
Mas lembre-se que tudo que começa com muito
Pode acabar muito pior
E muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
Pouco eu não quero mais.
Pouco eu não quero mais.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
At the end of the day
Há dias seguintes terríveis, aqueles em que temos vergonha do ontem. Em contrapartida, há os dias em que nos orgulhamos das coisas que falamos, que fazemos. E há, ainda, outros dias: quando ficamos felizes com os exageros que não cometemos, com pensamentos que evitamos e com as palavras que guardamos. Hoje foi um dia assim para mim. Por muito pouco, por uma questão de segundos, eu não disparei minha boca metralhadora em alguém que não merecia. E por motivos sem o menor sentindo. Tenho tentando ouvir mais e processar antes de falar, de julgar, de fazer todo o roteiro na minha cabeça. Nem sempre consigo, é verdade. Tem vezes que mal percebo e já falei bobagens que depois viram aquele embaraço, aquele constrangimento. Hoje, dia 25 de outubro, eu criei toda uma teoria na minha cabeça sobre como seria o meu dia. E assim que fui contrariada no que eu queria, já criei outra teoria ainda pior, cheia de conspirações, de vilões, de diálogos lotados de acusações, agressões, demonstrações de carência. Foi quando algo mágico aconteceu e, numa fração de segundos, eu tive a lucidez de me calar, de não fazer bico, e agir com a naturalidade de sempre. Duas horas se passaram e, mesmo as teorias estando na minha cabeça, eu tinha feito o favor de não dividi-las com ninguém. Estavam lá, martelando, mas eram minhas e eu ia arrumar um jeito de dar um fim nelas. E assim foi feito. Tive tempo e a preciosa chance de terminar o dia em paz comigo e com quem eu amo, sem aquela sensação ruim de ter falhado com ambos.
domingo, 24 de outubro de 2010
Das fronteiras da vida
Outro dia na aula de inglês a professora mostrou um texto que falava como brasileiros, americanos, ingleses, chineses agiam no trato profissional. E uma coisa que me chamou atenção foi a distância que os americanos tomam uns dos outros: um braço. Aí ontem eu soube de uma história no mínimo bizarra, que me fez refletir sobre uma questão muito frequente nas relações, que é o cuidado que temos quer ter para não invadir o espaço alheio. Acho um braço pra frente, para trás, para os lados, uma distância sensacional e que deveria ser respeitada mais vezes pelas pessoas. Porque acontece uma invasão muito grande na nossa vida. São pessoas que não conhecem limites, fronteiras. E acredito que o cuidado não deve ser apenas físico. Não adianta você tomar o tal braço da vida do outro se não é capaz de cuidar das palavras que você profere, dos pedidos que faz, dos comentários... Uma vez conversando com uma amiga disse que a gente precisa prestar atenção no que falamos para as pessoas que gostamos. E precisa mesmo. Porque invadir a vida de alguém vai muito além de se aproximar. É o tal do semancol, que muita gente pretensamente sensata diz possuir, e aí você descobre que a pessoa não sabe o que é isso. Porque se soubesse jamais seria capaz de fazer o que fez com alguém que ela diz considerar tanto.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Pura maldade
Eu sempre li matérias, ouvi as pessoas falarem, mas, sinceramente, nunca tinha sentido na pele. Não sei se por falta de atenção ou porque não havia rolado mesmo. Claro que a gente desperta alguma curiosidade, interesse e, como a grama do vizinho é sempre mais verde, não duvido que alguém já tenha pensando que a minha vida é o máximo e a desejado, nem que por breves momentos. Eu faço isso de vez em quando, você também. Mas não é esse tipo de sentimento ingênuo que quero falar. Quero falar daquele que carrega a maldade. Quando você sente que, por nada, alguém quer te derrubar, puxar seu tapete, fazer maldade, fofoca, intriga. E aí você pensa: qual o objetivo? Não sou uma pessoa boazinha, beeeeeeeeem longe disso. Mas sou uma pessoa do bem, disposta a dar a mão, atenção. Só que sem forçar, sabe? Até porque desconfio horrores de gente muito mimimi. Prefiro gente de verdade, que sente, que fala, que sofre, que chora. Amo gente visceral. Tem uma categoria de seres humanos, os plantas, que eu corro. Mesmo com meu jeito meio exagerado de ser, não sou capaz de tentar minar, de prejudicar. E sabe por quê? Porque não adianta nada. Porque fica feio, empobrece a alma (de quem tenta fazer isso, ÓBVEEEO, – palavra em homenagem à minha amiga Ludmila Pilapavicius). É tão melhor ser legal, tão mais fácil, tão mais simples... Quem gosta de veneno não sabe disso, não entende isso, NÃO SENTE ISSO. Está tão entorpecido na substância da ruindade, que é incapaz de perceber os aromas e sabores que estão ao seu redor
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Quando ser maravilhosa não basta
Em algum momento você escutou de algum camarada que é uma mulher maravilhosa. Geralmente, o homem que disse isso não é alguém com quem você divida os lençóis no dia a dia, a vida. Longe disso. Aí você para, pensa e conclui: ser maravilhosa não adianta nada. Não resolve você cuidar da sua própria vida, não depender, não pedir, não cobrar. Ser autoconfiante pra quê, se o homem simplesmente não sabe lidar com isso? E não acredito que mulheres como nós assustam. Porque quando eles ficam com medo, nem aparecem no dia seguinte, vão embora, não ligam e desaparecem na poeira. Estou falando dos tipos masculinos que estão ali, por perto. Manja mosca de padaria? Precisam dos seus conselhos, adoram conversar, fazem você se sentir importante e, de alguma forma, te incluem. Ainda que com uma certa distância, você se sente parte daquele todo, daquele universo chamado a vida dele. E volta e meia ele diz as coisas que você precisa ouvir e mesmo sabendo que o blá blá blá não é o suficiente, você aceita, agradece e até sorri, achando que basta. Afinal, você é uma pessoa maravilhosa. É tão maravilhosa que é muito para ele. É demais. Inteligente demais, bonita demais, independente demais, diferente demais, profissional demais. E ele simplesmente não sabe o que fazer com alguém que devia estar num altar, de tão sensacional. Sabe, homens assim (e eu conheço vários, infelizmente) são um pé no saco. Eles preenchem lacunas até a página 20. Mas chega um momento que cansa. Porque eu não preciso de um sujeito dizendo que eu sou maravilhosa. Porque eu sou mesmo. Queria que alguém vivesse minha vida, fizesse as coisas que eu faço com tamanha competência para ver o quanto eu sou foda. E eu não sou a única. Conheço mulheres, em situações diversas, que cortam um dobrado para viver uma vida honesta exatamente como eu. Mesmo com nossas TPMs, encanações, necessidade de afeto, carinho e todo o resto, a gente se basta. Por isso, da próxima vez que algum homem te disser que você é maravilhosa, olhe no fundo do olho dele e diga: eu sei. Assim, ele se toca e para de uma vez por todas com essa palhaçada. Porque se um homem não é capaz de ficar com uma mulher maravilhosa é porque ele não tem competência para ficar com ninguém.
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