terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Corrida
Fim de ano é um funil. Quanto mais perto chega o dia 31 de dezembro, mais apertado tudo parece. Resoluções a tomar (os tais planos para o ano seguinte), presentes para comprar, tudo para ver, casa para arrumar, árvore para montar, confraternizações, celebrações... É uma pressa e parece que não vai dar tempo, que não vamos chegar, que não vamos conseguir. Ficamos cansados só de pensar em tudo o que temos que fazer e travamos uma disputa insana com nós mesmos, como se quisessemos provar que somos capazes, que damos conta. E no meio dessa insanidade toda a vida vem e mostra que não adianta planejar nada, que você não tem o menor controle sobre as coisas e aí é forçado a parar. Porque alguém muito querido (de alguém também muito querido) foi-se embora. E a única coisa que você pode fazer é estender sua mão e dizer que está ali e que sabe que aquele sofrimento todo vai ser transformado em algo positivo. Porque é assim que é. Aí quando acha que aconteceu tudo o que tinha para acontecer, o telefone toca e do outro lado mais uma notícia daquelas ruins, que mexem, que evocam questionamentos, revoltas. E sua vontade é sair correndo e se enfiar num buraco, num avião, num foguete rumo ao desconhecido. Mas não tem jeito e o máximo que se faz é ir para casa mais cedo, tomar um remédio para relaxar e dormir. O dia seguinte chega, você levanta da cama, levanta a cabeça e vai andando (de preferência sorrindo) até o dia de atravessar o funil, por mais apertado que ele seja ou esteja. Saímos dele com a roupa meio amassada e a cara torta. Mas enfim, passamos. Conseguimos mais uma vez. Porque é sempre bom começar tudo de novo.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Pretexto
Ela queria estar diferente aquele dia. Pensou em voltar a ser loira. Viu algumas fotos de anos antes e desistiu na hora. Foi fazer as unhas. Com os pés pintados de vermelho, não queria repetir a cor nas mãos. Chegou no salão e logo decidiu: prata. E assim, unhas prateadas, foi ao encontro dele. Na hora, ele não falou nada e outros assuntos e risadas encheram aquela noite. Tudo parecia igual, mas ela reconhecia as diferenças. Estava sem paciência e, quando percebeu, nem estava mais ali, não fazia mais parte. No dia seguinte, voltaram a se encontrar no mesmo lugar de sempre e, já no caminho para casa depois de mais uma rodada de besteiras e cervejas, ele virou e disse:
- Que esmalte é esse? Ficou muito esquisito.
- Eu também odiei, mas quis mudar, tentar algo diferente.
- Você fica melhor com unhas vermelhas.
- Gosto mais também. Mas esmalte a gente tira, coloca outro. Agora eu sei que eu não gosto dessa cor e não vou passar de novo.
E encerramos a conversa. Em casa, depois de uma despedida sem graça e deitada em sua cama, percebeu que era hora mesmo de mudar. De arriscar novas cores de esmalte, outros temperos e sentimentos à sua vida. Semana que vem talvez ela passe azul-marinho ou verde-militar. Caso não fique bom, sem problemas. Dá para trocar. Sempre.
- Que esmalte é esse? Ficou muito esquisito.
- Eu também odiei, mas quis mudar, tentar algo diferente.
- Você fica melhor com unhas vermelhas.
- Gosto mais também. Mas esmalte a gente tira, coloca outro. Agora eu sei que eu não gosto dessa cor e não vou passar de novo.
E encerramos a conversa. Em casa, depois de uma despedida sem graça e deitada em sua cama, percebeu que era hora mesmo de mudar. De arriscar novas cores de esmalte, outros temperos e sentimentos à sua vida. Semana que vem talvez ela passe azul-marinho ou verde-militar. Caso não fique bom, sem problemas. Dá para trocar. Sempre.
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