segunda-feira, 23 de maio de 2011
E assim eternizou Ian Curtis
E justo naquela sexta. Cansada e abatida depois das semanas corridas, tudo o que sonhava era com a cerveja gelada no balcão do bar. Justo na hora de ir embora abriu o e-mail que estava na caixa de entrada há dias, sem ser lido. Ficou parada, olhando a tela do computador tentando entender a frase: eu só queria uma chance de ter sua amizade de volta. Como assim, se naqueles anos todos ele nunca agiu como tal? Por que justo agora ele faria isso? Decidiu fechar a mensagem sem responder e foi para casa, pois não tinha pique para nada além de dormir. Na madrugada, depois de um sonho atrapalhado, acordou e lembrou do Joy Division e, bingo, achou a resposta perfeita. Sim, love will tear us apart again. Porque amor para aqueles dois, por mais presente, por mais forte, por mais longo, por mais verdadeiro, nunca seria o suficiente. Copiou a letra da música e clicou em send. Naquela mensagem, o fim que tanto precisava para uma história que (só) parecia não ter fim.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
O Caio
Sempre gostei de Caio Fernando de Abreu e devo confessar que o conheci pelas aquelas agendas da Tribo, que eram moda nos anos 90. Ganhei a minha primeira na faculdade e tive um monte. Todo dia uma frase, algo para refletir. Apesar disso nunca li um livro dele. Fazer o quê? Gosto do que ele fala. Meu amigo Luiz Fernando Almeida está em cartaz com o monólogo Dama da Noite, inspirado no conto de mesmo nome do Caio, aqui em Santos. Não consegui ainda assisti-lo, pois a minha vida tá uma confusão só, desde que minha mãe foi internada há 18 dias. Bom, mas não é para falar disso que resolvi voltar ao blog depois de tanto tempo. É que hoje dando uma limpada no meu email achei dois trechos de textos do Caio. Um deles era justamente do conto do monólogo do Lu. O outro, não sei de onde é. Mas embora distintos, dizem tanto sobre como me sinto.
"Eu tenho um sonho, eu tenho um destino, e se bater o carro e arrebentar a cara toda saindo daqui continua tudo certo. Fora da roda, montada na minha loucura. Dá minha jaqueta, boy, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada". (Dama da Noite)
"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'".
"Eu tenho um sonho, eu tenho um destino, e se bater o carro e arrebentar a cara toda saindo daqui continua tudo certo. Fora da roda, montada na minha loucura. Dá minha jaqueta, boy, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada". (Dama da Noite)
"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'".
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