segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Inesquecível



Nesses anos como jornalista já fiz muitas matérias, diversas coberturas. Todas, de alguma forma, me moldaram como profissional e, principalmente, como ser humano. Em cada entrevista, seja com uma celebridade, uma enquete na rua com um desconhecido, um aprendizado. Sou grata por tantas oportunidades. Mas estar no mesmo lugar que o dalai-lama Tenzin Gyatso, no dia 16 de setembro, dia do aniversário da minha mãe querida, foi um grande presente. E, mais uma vez, só me resta a agradecer. Ainda mais por ter tido a oportunidade de ser cumprimentada por ele, um ser iluminado, especial e cheio de energia. As fotos do Alexsander Ferraz mostram dois momentos. A primeira foto durante a coletiva (estou na primeira fila, vejam minha cabecinha) e a segunda, que saiu na carta da Clau, na AT Revista do dia 25, foi tirada na entrada do WTC, em São Paulo. Sem dúvidas, ele continuará olhando por mim...

domingo, 4 de setembro de 2011

As cuspidas da vida

Adoro uma parábola, e esta eu ouvi há um bom tempo e sempre lembro dela nos momentos de crise, aqueles em que tudo o que você quer é fazer e acontecer.

Um discípulo viu seu mestre ser morto. Jurou vingança e prometeu que só descansaria quando encontrasse o assassino. Durante anos e anos percorreu vilas, cidades, países, vilarejos à procura do sujeito. Depois de muito tempo, finalmente, o encontrou. Um duelo foi marcado em praça pública e todos torciam para o discípulo, que estava em vantagem. Quando ia dar o golfe fatal no coração do assassino, levou uma cuspida na cara. Imediatamente, recuou. As pessoas, inconformadas, perguntavam:
- Mas como você fez isso?
- Você ia matá-lo!
- Justo agora, no momento do golpe fatal!?
Com muita calma, o discípulo respondeu:
- Se eu o matasse naquele momento seria por causa da cuspida e não para vingar a morte do meu mestre.

Pois é, e muitas e muitas vezes, a gente age por causa das cuspidas da vida. Tentando aprender, todos os dias, a não fazer isso. Porque simplesmente não adianta!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

100%

Voltei pra terapia. Fiz terapia em 2001 e 2002, quando tive uma crise depressiva que quase em deixou doida. E morta. Não estou em depressão, bem longe disso. Meu nível vital está ótimo. Só estou fragilizada. De um ano para cá muita coisa aconteceu e não tive tempo para assimilar. Finalmente, a ficha caiu. Ouvi da Josélia, a mesma psicóloga daquela época, que buscar ajuda quando não estamos bem, é sinal de saúde mental. Fiquei feliz. Significa que estou melhor do que imaginava, que consigo vislumbrar alguma coisa, algum sentido. Sozinha, porém, isso não estava acontecendo, apesar do apoio das pessoas queridas. Talvez não tenha que entender mesmo e apenas engolir e digerir. Buscar explicações também não cabe a mim, afinal, eu cumpri com sinceridade - e com todo o coração - o meu papel. Esperar, aguardar, recolher. Ficar na minha porque as coisas se transformam, tenho absoluta certeza disso. A vida me ensinou, as pessoas me ensinaram. Duro mesmo é esse tempo que a gente fica assim, na corda bamba, numa oscilação que incomoda demais. Dói, arde. Mas é preciso. Não dá para simplesmente ignorar um machucado. Eu, pelo menos, não consigo. Prefiro tratar dele até que a cicatriz fique o menos visível possível. Porque um dia ela vai desaparecer. Jogar as coisas para debaixo do tapete, fingir que não me incomodam, isso eu não sei mais fazer. E no fundo, não importa o que aconteça, o que tenha acontecido, só tenho a agradecer. Porque minha alma, ainda que ferida, continua inteira.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O meu melhor presente

É engraçado - para não dizer necessário - olhar pra trás. Não é saudade, pelo contrário. É perceber como em um ano tanta coisa aconteceu e como tudo impactou na minha vida. De forma positiva, não tenho a menor dúvida. Porque em 2010, nessa época, simplesmente parecia que tudo desmoronava. E justamente por tudo estar no chão, feito os cacos de um vidro quebrado por uma bola travessa, foi mais fácil recomeçar. E aos poucos tudo foi voltando para os eixos, a vida se equilibrando e novos caminhos sendo descobertos. Nada tão grandioso que fosse capaz de transformar, mas importante o suficiente para me preparar. No fundo eu sabia que aquilo era uma fase, um aprendizado, e que havia algo muito maior e melhor depois. Tive calma e paciência para esperar. Aquele futuro que eu imaginava finalmente chegou. Vivo meu futuro sabendo que ele é, sem dúvida, o meu melhor presente.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Por tudo que virá

Meu Neruda predileto pra vc...

Quero saber

Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com uma condição: não nos compreender

quinta-feira, 9 de junho de 2011

As muretas da Ponta da Praia

Acho que todo mundo que mora em Santos tem uma ligação meio nostálgica com as muretas da praia. Não sei quando a minha começou mas um dia eu estava lá, encostada nas muretas da Ponta da Praia, pensando na vida. Ali eu já chorei, já ri, agradeci, pedi. O meu trecho favorito é em frente ao Enseada, prédio lindo do Artacho Jurado. Daquele ponto, eu vejo navios chegando e partindo tendo ao fundo a Fortaleza da Barra. Já levei e falei do meu refúgio para algumas pessoas, ensinando-as meus truques de fuga e realidade naquele pedaço, que fica lindo em qualquer estação do ano. Nem todas entenderam (compreender meus devaneios nem sempre é fácil, admito), mas as que gostaram certamente já voltaram, ainda que em pensamento. Eu vou pras muretas de vez em quando. Outro dia mesmo fui dar um passeio imaginário, quando vi as jóias da Sandra Ceolin . Ali me esvazio; para o cargueiro já cheio, mando embora tudo o que não quero ou serve mais. Ao mesmo tempo me preencho com a chegada de mais um navio, outra esperança.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Canção de ninar

Você não precisa mais ter medo do escuro porque eu estou aqui, clareando seu sono, seus sonhos. E se ainda assim nao adiantar, segura na minha mão que eu vou te acalmar. Acabou a escuridão, o medo. Respira fundo e dorme, meu anjo, porque eu vou ficar acordada para espantar esse fantasma sombrio que tomou conta de suas noites. Lá fora tem as estrelas e a lua que iluminam o céu. Aqui ao seu lado, existe a luz poderosa que vem do meu sorriso, da minha presença, da minha alegria. Que só existe porque você a reacendeu...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Banco Imobiliário

Mudar a vida nem sempre é fácil. Porque dá trabalho. E quando a gente muda, quem está por perto também sofre esse impacto. Para o bem ou para o mal. São como peças de um jogo de tabuleiro. Alguns vão para frente com você, outros param e há os que recuam. Acho o movimento sensacional. Mas uma pena que tanta gente fuja disso e por tantas e tantas implicações. Um egoísmo, se pensarmos bem. Ao optar pela estagnação, essa pessoa atinge uma rede que a acompanha. Fico muito feliz quando vejo alguém insatisfeito decidir virar a mesa da própria vida e se jogar: num novo trabalho, num novo amor, em novas amizades. Gente que vive a vida do melhor modo que existe: vivendo! Ao mesmo tempo lamento quem decidiu viver uma vida no modo mais ou menos, sobrevivendo, empurrando, levando. Mais na frente, as limitações físicas surgem, o cansaço da idade bate e aí que não se faz nada mesmo. Num domingo tedioso, sentado em sua poltrona, com o controle remoto nas mãos, surge a grande pergunta: o que eu fiz da minha vida? Sem respostas, só resta mudar o canal e esquecer.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

E assim eternizou Ian Curtis

E justo naquela sexta. Cansada e abatida depois das semanas corridas, tudo o que sonhava era com a cerveja gelada no balcão do bar. Justo na hora de ir embora abriu o e-mail que estava na caixa de entrada há dias, sem ser lido. Ficou parada, olhando a tela do computador tentando entender a frase: eu só queria uma chance de ter sua amizade de volta. Como assim, se naqueles anos todos ele nunca agiu como tal? Por que justo agora ele faria isso? Decidiu fechar a mensagem sem responder e foi para casa, pois não tinha pique para nada além de dormir. Na madrugada, depois de um sonho atrapalhado, acordou e lembrou do Joy Division e, bingo, achou a resposta perfeita. Sim, love will tear us apart again. Porque amor para aqueles dois, por mais presente, por mais forte, por mais longo, por mais verdadeiro, nunca seria o suficiente. Copiou a letra da música e clicou em send. Naquela mensagem, o fim que tanto precisava para uma história que (só) parecia não ter fim.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O Caio

Sempre gostei de Caio Fernando de Abreu e devo confessar que o conheci pelas aquelas agendas da Tribo, que eram moda nos anos 90. Ganhei a minha primeira na faculdade e tive um monte. Todo dia uma frase, algo para refletir. Apesar disso nunca li um livro dele. Fazer o quê? Gosto do que ele fala. Meu amigo Luiz Fernando Almeida está em cartaz com o monólogo Dama da Noite, inspirado no conto de mesmo nome do Caio, aqui em Santos. Não consegui ainda assisti-lo, pois a minha vida tá uma confusão só, desde que minha mãe foi internada há 18 dias. Bom, mas não é para falar disso que resolvi voltar ao blog depois de tanto tempo. É que hoje dando uma limpada no meu email achei dois trechos de textos do Caio. Um deles era justamente do conto do monólogo do Lu. O outro, não sei de onde é. Mas embora distintos, dizem tanto sobre como me sinto.

"Eu tenho um sonho, eu tenho um destino, e se bater o carro e arrebentar a cara toda saindo daqui continua tudo certo. Fora da roda, montada na minha loucura. Dá minha jaqueta, boy, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada". (Dama da Noite)

"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'".

terça-feira, 22 de março de 2011

Cada um com seu isso tudo

E os dias que você acorda não querendo acordar, tipo a música do Cazuza, hoje acordei com sono sem vontade de acordar? E não é porque seu amor foi embora e deixou um bilhetinho, não. Nem porque é segunda, terça. É porque, sei lá. Talvez você não tenha dormido direito porque a chuva ficou batendo no ar-condicionado, talvez você esteja carente de afeto, talvez você esteja recebendo menos atenção do que acha que merece, talvez você precise mudar sua vida... Mas como não tem jeito e, no momento, você não quer responder a essas perguntas, acorda, dá bom dia pro dia e enfrenta. Coloca o salto, o Flora da Gucci, passa uma maquiagem na cara e vai. Porque precisa, porque não resta muito o que fazer. Embora sua vontade seja ficar em silêncio, curtindo essa fossa sabe-se lá de onde veio, tem que conversar. Fazer entrevistas, dar risada, enfrentar reunião, interagir. E como você não é do time dos que se jogam nos remédios da moda, o único jeito é descer na cantina e comprar um chocolate imenso para te dar mais um pouco de ânimo. Só que na sua cabeça só aparece o plano perfeito para mais tarde, que é chegar em casa, ligar a TV e esvaziar a mente. Mas não, não dá. Porque mais trabalho te espera no computador, mais roupa te espera pra estender, mais coisa te espera pra arrumar, mais uma lição da filha pequena para corrigir. E de novo você faz, excede os próprios limites, estica o próprio elástico por isso tudo. E aí pergunta-se: pra quê tudo isso? E sem nem fazer ideia da razão, faz. Porque tem que fazer, porque é o certo, porque é assim que é, porque no fundo, tirando você, ninguém está nem aí para o seu isso tudo.

domingo, 20 de março de 2011

Os nãos dessa jornada

Não. Engraçado como essas três letrinhas causam tanta polêmica. Enquanto uns não sabem dizê-la, outros, não sabem ouvi-la. Tenho uma amiga querida que tem a maior dificuldade do mundo em dizer não para o que pedem pra ela. Prefere fugir, se esquivar ou atender, ainda que sem vontade, do que pronunciá-la. Teve um tempo que eu já fui assim. Dava uma desculpa, enrolava, fugia, mas não falava não. Hoje não mais e, se precisar, digo não com todas as letras, inclusive garrafais. Eu escuto não o tempo todo ué. Digo vários (sou mãe de uma criança e se tem uma coisa que criança precisa aprender é escutar não). E por causa desse meu jeito entra a outra questão: a daquela criatura que se melindra com o não. Recentemente passei por algo parecido. Me pediram uma informação. Pelo meu jeito de ser e de agir não achei correto divulgar. Ao dizer não respeitei meus princípios, acima de tudo. Não foi nada contra quem me pediu e acredito que a solicitação tenha motivos concretos. Mas se eu cedesse iria na contramão do que eu acredito, da forma como procuro levar certas coisas. E por causa desse não, criou-se um mal-estar totalmente desnecessário. Até porque não neguei ajuda, apenas não quis ajudar da forma que a pessoa queria. O que o tempo me ensinou foi que dizer não é algo necessário, faz bem e cria limites. E nessa vida, em que muita gente não respeita o espaço do outro, manter alguma distância, às vezes, é essencial.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Campanha do lixo

Pessoal

Minha baixinha, a Luiza, está fazendo uma campanha pra recolher lixo na praia. Vai ser este domingo, dia 2o/03, às 16 horas, na praia da Biquinha (em frente ao shopping São Vicenter). Só precisa levar luva, se quiser. E torcer pra não chover (caso chova vamos adiar para o próximo domingo). Detalhes no blog O Fantástico Mundo da Luly:
Esperamos vocês por lá

Thaís e Luiza

quarta-feira, 9 de março de 2011

É preciso confiar

Nossa, se existe algo complicado pra gente lidar é a tal da confiança... ô danada, viu? Porque nunca sabemos, ao certo, o que o outro está fazendo. Confiança é a base de todos os relacionamentos e isso todo mundo sabe na teoria. Mas e na prática? Quem é que aqui nunca mentiu pra mãe quando era mais novo? Falava que ia dormir na casa de uma amiga mas na verdade estava na casa do namorado. Eu já fiz isso e cheguei a viajar pra outro estado sem minha mãe sonhar. Se ela descobrisse ia perder a confiança em mim, certo? Ela nunca descobriu e sempre me deixou livre justamente por confiar, acreditar em mim. Pois é. Acho que o contrário da confiança não seja a desconfiança e sim, a mentira. Aí você vai crescendo e estabelecendo vínculos e confiando naqueles que estão perto. No namorado, nos amigos, no pessoal do trabalho. Pra mim quem confia desconfiando simplesmente não confia. Porque a confiança é cega e inapalpável. É o tipo de coisa que você tem ou não tem. Nem entro no mérito da autoconfiança porque essa é outra bichinha que às vezes gosta de encher nosso saco. Tô falando aqui na confiança depositada nas pessoas de perto. Quando você para de confiar, o que faz? Fica longe? Espera a sensação passar? Aliás, dá para recuperar a confiança? Coloca o ser em questão na parede? Adianta tudo isso? Não, né? Porque se uma pessoa não é digna da sua confiança ela não deveria fazer parte do seu mundo, da sua vida. Então a resposta para o grande enigma está dada. Mas e agora? Agir, nem sempre, é fácil.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

o meu dia

Sempre gostei muito de fazer aniversário. Pra mim é o dia mais importante do ano e isso não tem nada a ver com narcisismo. É o dia que fui colocada no mundo e, graças a este dia, tenho a chance de conviver com as pessoas que eu amo tanto e vice-versa. Meus 21 de fevereiros ao longo desses 37 anos foram especiais de alguma forma. Alguns mais calmos, mais agitados. Não lembro de um aniversário triste. Teve um sim, o de 14, que rolou uma confusão com minhas tias e minha mãe. Mas não chegou a ser triste e consegui aproveitar. Tive aniversários especiais na escola (nunca levei a famosa ovada), no trabalho, festas surpresas, em barzinhos, em casa. De alguma forma eu gosto de comemorar. Meu aniversário de 28 anos foi bem marcante, pois um dia antes, eu descobrir estar grávida e naquele ano de 2002, esperar pela chegada da Luiza foi fundamental para eu meu reerguer. Ontem fiz 37. Não me sinto uma mulher de 37, quando me comparo a algumas que conheço. Mas ao mesmo tempo sou e isso só me faz querer viver mais e mais. Porque acima de tudo, eu gosto muito da vida. Obrigada, Deus por essa chance.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Nonstop

Há semanas que não acabam. Estou no meio de uma delas. Como trabalhei no final de semana, hoje, mesmo sendo terça, parece a quinta, a sexta. E além do fato de encarar um plantão que, por si só não é a coisa mais fácil e legal do mundo, ainda tive um sábado e um domingo enrolados e preocupantes. Geralmente não é assim, mas esse foi e estou esgotada. Por tanta coisa que eu já fiz desde a segunda-feira da semana passada, por tanta notícia ruim que já recebi, por tanta tensão que já passei... E se não fossem o almoço de sábado e o final de noite de domingo, Jesus... Hoje é terça-feira ainda e eu só queria que fosse sexta, umas 19 horas, para eu estar em casa ou no Madalena, no aniversário da Fê Luz, tomando uma geladinha para relaxar e encarar meu fim de semana de descanso. Porque final de semana, mesmo de trabalho, deve ser em paz. E este meu último, definitivamente, passou longe disso.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Só tecnológica

Olha que bacana. Estou na rua, ou melhor, no shopping (impossível ficar do lado de fora) e, enquanto a Fifi vai comprar sorvete, eu atualizo o meu blog, do meu iPad. Nunca imaginei ter um trem desses, mas desde que Si me entregou, na quinta, não largo mais. E já que SV tem wi-fi Em tudo o que é canto, vou aproveitar. Tô apanhando ainda desse teclado, mas logo me adapto. Então é isso, sou uma pessoa conectada. Próximo passo é o 3G. Semana que vem vejo isso.
Ah, fiz esse post em homenagem a Maria Carambola (Karina Batista), que deixoum um recadinho no meu bloco de notas, na sexta. Tá aí o post, Kã!!!!!!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Hoje é aniversário da Rafaela

Mas quem é Rafaela? Loira tingida, 1,75m mais ou menos, magra. Usava um vestido preto colado ao corpo. Rafaela ganha a vida nas esquinas de Santos. Hoje deve ter sido seu 23º aniversário, no máximo, embora o rosto sofrido carregue uma fisionomia de mulher madura. Soube que era seu aniversário porque o pai Zé Luiz, a vó Dalva e a tia Elvira chamaram um daqueles carros de mensagem, o Loucuras do Coração, para homenageá-la. Em frente ao hotel decadente da João Pessoa, Rafaela ouvia declarações da avó e da namorada, que fez questão de destacar os 8 anos de relacionamento e as dificuldades que passam juntas desde então. "Eu te amo", disse a jovem de cabelos batidos, calça larga e regata. Em nome de todas as "meninas", uma morena desejou para Rafaela muita sorte, falando de sua beleza e do quanto ela era querida por todas. "Que você vença nessa vida difícil com muita saúde e realize todos os seus sonhos", disse a moça, aplaudida pelas mais de 20 prostitutas que estavam na calçada para dar os parabéns para Rafaela. Emocionada e chorando muito, recebeu o consolo e o abraço da namorada e da avó. Depois de algumas palavras, o moço do carro vermelho das mensagens foi embora, as meninas se dispersaram e tudo voltou ao normal. Lá estava Rafaela em seu ponto, em sua rotina. Mas muito feliz, com o grande momento que finalmente viveu nas ruas do Centro da Cidade.
Felicidades, Rafaela!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Minha televisão quebrou

Era uma quinta-feira de manhã . Mal acordei e fui ligá-la. Não funcionou. Tirei da tomada, recoloquei. Nada. Decidida a não me estressar, fui na loja ali do lado, que arruma tevês e pedi para que buscassem minha Philco. Liguei na sexta e o orçamento não havia descido (e sei lá que merda isso queria dizer). Passei o fim de semana sem tevê, tendo meu computador como aliado. Liguei pra minha mãe, lembrei daquela televisão pequena, velhinha e, para minha decepção, estava quebrada. Hoje é terça e estou sem tevê. Ontem liguei na assistência e fui informada que o estrago não tinha conserto, que blá blá blá. Como ontem passei o dia em São Paulo e dormi lá, então, nem pensei no assunto. Hoje, chego em casa no silêncio, no stand by. A Dani me disse que dá para ver tevê pela Internet, mas o que eu preciso mesmo é providenciar uma tevê. Coisa simples, né? Não, não é. Não sei qual tevê comprar, quanto investir, se vale investir, essas coisas. Já entrei em todos os sites. O Ricardo Eletro, o Extra, o Carrefour, o Ponto Frio, o Busca Pé. Tem tantas, com tantas coisas diferentes. Um colega sugeriu uma LED: R$ 1.700 mango. Vale a pena isso tudo numa tevê? Eu não sou tecnológica. Tendo imagem direito já tá bom. Estou mal-humorada. Não pela tevê que quebrou, pois eu sei que as coisas têm data de validade. Antes a tevê do que minha perna, meu braço. O que tá me deixando assim é ter que escolher, decidir, pensar. Até pagar a gente dá um jeito. 10 vezes sem juros foi feito exatamente pra isso. Só que hoje não tô nessa vibe, de resolver nada. Queria ter chegado em casa e, alguma alma caridosa, um gênio da lâmpada, o mágico, enfim, e ter dado de cara com uma tevê novinha no lugar vazio. Só que não. E terei que decidir sozinha (como tem sido tudo de uns tempos para cá) a tevê que vai encher de sons minha casa. Assim como tive que correr atrás do instalador do ar, da faxineira nova, do material da Luiza, da matrícula do inglês... Hoje, mais do que qualquer coisa, eu queria ter alguém para dividir.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O dia em que o senador virou Senador

Era uma noite típica de verão e, refrescados pelo vento gelado do ar-condicionado, discutiam os caminhos da humanidade entre uma rodada e outra de Brahma. No tradicional bar do Centro de Santos, resolviam em poucos minutos o futuro da nação. Não era para menos, afinal de contas, entre eles havia um Senador. Em seu lugar marcado à mesa do meio, dava opiniões, indicava soluções, fazia discursos e saía satisfeito, na condição de político respeitado. Encenava tão bem seu papel, que a moça com sotaque, recém-integrada ao grupo, acreditou estar diante de um autêntico representante do Senado Federal. Meio sem jeito, chegou em seu ouvido pedindo conselhos de como ingressar na vida pública. Tinha grandes pretensões, queria ser nada menos que prefeita de sua cidade.
- Quero tirar os mendingos da rua e colocar na calçada, repetia ela o slogan pra lá de sem graça.
Com seu sarcasmo habitual, sugeriu que ela começasse por baixo, tentando primeiro um cargo na Câmara de Vereadores de seu município.
- Comece devagar, consiga uma boa verba para investir na campanha. E aí você vai ganhando experiência e vira deputada estadual, federal... e depois, quem sabe, prefeita.
Ela ouvia atentamente as considerações do nobre político, que gesticulava e usava palavras capazes de confundir qualquer desavisado.
Em determinada hora da conversa, não se aguentando mais de curiosidade, virou para o senador e, numa quase inocência, perguntou:
- Como é lá?
- Lá onde?, ele devolveu.
- No Senado, em Brasília. Como é lá, o seu trabalho.
- Não querida, não sou senador. É só um apelido, os caras me chamam assim.
- É que eu achei que você fosse senador de verdade, disse ela, em um visível desapontamento .
- Mas eu sou senador. Até que provem o contrário, eu sou. Não é pessoal?

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Culpada é a mãe

Tem aquela propaganda que diz que quando um filho nasce, nasce também uma mãe. Acrescento que além disso nasce uma árvore dentro da gente, com raiz, tronco, caule, folhas e flores chamada culpa. Sim, porque sentimos culpa por tudo o que acontece com nossos filhos. De um tombo que poderia ter sido evitado a uma febre no sábado à noite. Mães são culpadas pelo sofrimento de seus filhos. Engraçado é que dificilmente nos damos conta que somos culpadas também pelos momentos felizes. E quando você é separada, então, a culpa negativa dobra. Porque você decide sozinho como vai ser. Onde vocês vão, o que a criança vai comer, vestir. E muitas vezes de uma escolha boba, acontece alguma coisa ruim. Quando o pai está por perto dá para dividir esse sofrimento já que tudo foi baseado no "nós". Não que ele assuma, porque a culpa que você sente já está dentro de você e não existe ninguém capaz de tirá-la. O que quero dizer é que fica menos pesado.
Mas quando se é sozinho isso não acontece e muitas vezes o sujeito fica sabendo o que aconteceu e ainda solta: mas por que você foi fazer isso? Isso sem contar a família, sempre com o dedo na sua cara. Não importa a boa mãe que você é nem o que você faz para o seu filho ser feliz. Uma virose e uma febre derrubam todo o resto. "Também, fica levando a menina naquela praia". Sim, eu levei a minha filha naquela praia. Ela teve um dia feliz, riu, brincou. Porque se não fosse na praia, seria no shopping, no horto, na puta que pariu. Não vou criar minha flha na bolha. Não vou. Não foi nada tão sério para tanto alvoroço. E se fosse sério eu assumiria, estaria onde fosse preciso, pegando na mão dela. Faz parte do que é ser mãe. No caso, foi só uma virose. Algumas crises de vômitos, diarreia e pronto, acabou.
Ela está bem-cuidada, assistida, medicada. A culpa é minha por ela ter ficado assim? É. Eu assumo. Mas assumo também a culpa pelo dia feliz que ela teve naquele sábado de praia. Sou culpada ainda pelos vários sorrisos lindos que ela me dá todos os dias.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Começar de novo

Você esquece o quanto é difícil dizer para uma pessoa aquilo o que ela não quer ouvir. De tão acostumada a escutar tchaus, de tanto vivenciar sumiços, não pensa que acabar com uma história é tão complicado. Porque você quer ser maduro e adulto e dizer o que te deixa insatisfeito e isso, obrigatoriamente, atinge seu ouvinte. Você precisa falar e resgatar aquele dia lá longe em que ele fez uma coisa que você não gostou muito, mas que foi mais uma gota que caiu no copo já cheio. Você explica que não se sente mais cuidada, amparada e que o jeito dele está displicente demais e que a última vez ele te fez em elogio foi em outubro do ano passado e pelo MSN. “Esqueci de te dizer, mas aquele dia você tava linda”. Isso porque em uma tarde – que ele provavelmente nem lembra -, falou que nunca conheceu ninguém como você. Magoa o outro (não que seja com intenção), pois está magoada, ferida e decidiu encarar a verdade. Não dá mais para fingir que está tudo bem porque simplesmente não está. Você passa mais tempo ansiosa do que calma. Porque ele simplesmente deixou de fazer o que fazia antes; coisas bobas, mas que te deixam no vácuo. Você para de fazer planos a longo prazo e começa com os de médio, só para não se frustrar. Até que chega uma hora em que nem no dia seguinte você sabe como vai ser, se vai ser. Não, não dá para ter uma história a dois assim, indo, levando. Pelo menos você não sabe viver desse modo. E se nem todo sentimento disfarçado em chocolate foi capaz, nada mais é. É duro chegar para alguém e falar que ele não foi suficientemente bom para o que você queria ou pensava, que ele não foi o cara que disse que seria. Você, com muita certeza, também não foi a mulher daquele início. E essas pessoas de agora não agradam mais um ao outro. Talvez o jeito de gostar dele seja assim, do tipo que não combina com o seu. Talvez ele tenha se distanciado de propósito, vai saber, esperando você ter coragem de fazer algo que ele também pretendia. De qualquer forma, você deu o primeiro passo.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Em ordem

Fazia tempo que ele não a visitava. Alguns meses desde o último encontro, que, ela acha, aconteceu no inverno. E justo hoje ele resolveu aparecer. Chegou numa hora imprópria, mas não teve muito jeito; acabou abrindo a porta, apesar da tentativa de não deixá-lo entrar. Ignorou telefonemas, o interfone. Em um momento de distração, atendeu a campanhia. Deu um sorriso sem graça e o convidou para tomar um café. Minutos depois ele já deitava em sua cama e fazia graça da sua vida.
- Que decisões você tem tomado, hein moça?
Ouviu um conselho que só mesmo ele podia dar:
_ Fique assim mesmo, não reaja. A vida é melhor quando você não faz nada e espera ela passar. De preferência sentada.
Respeitando o velho companheiro, pensou em seguir suas palavras, afinal, qual era mesmo o propósito de tudo isso que vinha fazendo, que vinha vivendo? Estava quase entrando na dele, contaminando-se com seu jeito conformado de ser. Foi quando o telefone tocou e do outro lado um amigo contava uma piada boba, que a fez cair na gargalhada.
- Era exatamente disso o que eu precisava agora, rir muito. Estou recebendo uma visita chata que insiste em ficar e fazer com que eu me sinta meio assim, no vazio agudo, aquele que Paulo Leminski descreveu certa vez.
- Quem tá aí? Põe a vassoura atrás da porta. Não deixa, você é maior do que isso e pode se livrar dessa criatura.
Pegou sua piaçava e, minutos depois, o “amigo-tédio” ia embora contrariado por não ter conseguido se instalar. Assim que ele saiu, foi pro computador tuitar e ouvir a nova música do R.E.M., It Happened Today. Já sem se sentir entediada e sorrindo cada vez mais decidiu dormir porque o dia seguinte seria puxado. Finalmente havia encontrado um instalador de ar-condicionado e uma faxineira pra colocar sua casa em ordem. Tudo ia voltando, pouco a pouco, para o seu devido lugar.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Por você

Eu sempre achei que paixões fossem paixões e que acontecessem no olhar, na hora, no instante. Comigo foi assim a vida toda. Até que eu o conheci. No começo eu não entendi muito bem aquela presença e o que era nossa relação. Apaixonada, definitivamente, eu não estava. Nada de frio na barriga, nada de borboletas, nada. Tudo calmo, tranquilo. O tempo passou e, de repente, acordei apaixonada. Demorou uns quatro meses até que minha ficha caísse, até que eu entendesse que paixões nem sempre são avassaladoras e que muitas vezes elas trazem o efeito contrário: o da calma. Cada dia ele me surpreende com alguma coisa diferente, com um gesto, uma besteira, como o dia em que me deu envelopes com jogos da Mega-sena. Cada dia eu aprendo, entendo. Tolerância, resiliência, paciência. Nem sempre consigo, devo admitir. Tem dias que eu chuto baldes, falo e faço besteira, e acabo escutando: tá tudo bem, é assim mesmo, faz parte, fica tranquila. Eu sei que ele gosta muito de mim. Mas o melhor de tudo isso é saber que posso gostar dele exatamente do jeito que eu gosto, do jeito que eu posso, preciso e consigo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Ensaio

Engraçado isso. Desde o dia que o conheci já tenho ensaiado todo o fim. Listo na minha cabeça os motivos e, conforme o tempo passa, consigo acrescentar mais itens; o último aconteceu naquela manhã em que ele acordou, se levantou e foi tomar banho. Mesmo me vendo acordada, foi incapaz de me dar um bom dia, um abraço. Com a minha cara amarrada e já no carro, ele tentou contato, me esquivei fingindo dormir, protegida pelas lentes enormes dos meus óculos de sol. Segundos depois, lá estava ele nos conduzindo aos nossos trabalhos pelo caminho mais longo, aquele em que vamos conversando, contemplando os prédios novos, as pessoas e os motoristas que só fazem barbeiragens. Nem percebi a hora mas quando me dei conta já estava rindo das suas bobagens e aceitando sua mão na minha perna e o convite para comer pastel. E é assim, fazendo listas, inventando diálogos, dizendo tchaus imaginários e tentando racionalizar sentimentos, que me emociono e gosto mais e mais dele.