segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Tempero de Família

Minha comida favorita era carne enroladinha com nhoque. Minha mãe não fazia só um bife à rolê. Aqueles bifinhos que ela enrolava com bacon, azeitona e cenoura tinham tanto carinho e cuidado... Mesma coisa do nhoque. Infelizmente, não lembro a última vez que comi essa deliciosa mistura. Provavelmente foi no meu aniversário em 2012, só que não tenho certeza...
E aí lembrei o quanto domingo tem a ver com comida de mãe. E ontem eu comi comida de mãe e me dei conta do quanto tenho saudade dos pratos que a minha preparava e que, por conta do destino, nunca mais pôde fazer: o churrasquinho da Luiza, o chuchu à milanesa, a bisteca no forno com batata e até a abobrinha recheada com atum que eu achava absolutamente sem graça...
A mãe que fez o almoço que comi ontem nem imagina o quanto aquela berinjela à parmegiana e a carninha temperada me fizeram bem. Deliciosas no sabor, claro. Temperadas com tantos sentimentos bons... com tanto afeto... Claro que eu repeti e repetiria mais se conseguisse... Graças a isso, minha memória gustativa me fez lembrar do nhoque com carne enroladinha que dona Lilian fazia e que eu havia esquecido pela ação implacável do tempo. Obrigada, sogra, por trazer esses sabores de volta.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Seria guaraná? Sobremesa acompanha?

Ontem foi um dia estranho. Domingos de plantões costumam ser, aliás. E não poderia ser diferente. Comecei o dia falando o inglês que eu não sei e não entendo com dois alemães, uma norueguesa e um casal texano. Eles estavam desembarcando de um navio e abriam a temporada de cruzeiros em Santos. De lá, atravessei a cidade rumo a São Vicente para entrevistar jovens que sonhavam em ingressar na universidade pública, a Unesp. Voltei pra redação, escrevi e fui pra casa, umas cinco e pouco da tarde. Um dia chuvoso, frio. Dei sorte e entrei no ônibus e decidi passar na minha mãe onde emendei uma agradável conversa sobre a lápide do meu pai. "Acho que vou vender o lóculo do Memorial e deixar paga três cremações. A anuidade tá ficando pesada e, quando a mãe morrer, eu não vou poder bancar sozinha", disse ela. Eu acenei a cabeça, concordando e disse: "Acho justo. Vamos ver como fazemos isso na prática. Eu ligo lá amanhã".
E enquanto eu falava, recebi uma ligação de uma xará. "Thaís, é a Thaís da loja tal. Sua encomenda chegou". Pensei: vou lá amanhã. Pensei de novo: amanhã ela vem e vou me embolar. Melhor ir hoje. Peguei meu-guarda chuva, disse tchau e lá fui eu pro shopping Praiamar. O amor tem dessas coisas: a gente não se incomoda de sair de uma cidade e ir para outra. Entrei num Ponta da Praia lotado, mas estava feliz porque ia comprar o presente dela. Shopping, domingo com chuva: combo da desgraça. Aquilo lá parecia o Inferno de Dante no pior dos seus círculos. Pra completar, a encomenda não era o que eu queria. Decidi comer e só quem conhece sabe o que é a Praça de Alimentação do Praiamar, aquela barulho, aquele tanto de gente. Nessa brincadeira, já eram quase dez horas. Fui pro ponto, a duas quadras do Praiamar... Como venta naquela Alexandre Martins, Nossa Senhora. Chovia, eu tava molhada, cansada e com dor de barriga. Mas o ônibus veio vazio. Tava sem celular, que havia ficado sem bateria. Pacote completo de maus acontecimentos pra fechar o domingão. Cheguei em casa, corri pro banheiro e pra avisar que havia chegado.. tirei uma foto sorrindo pra tentar fingir que tava tudo bem. Mal sabia que o domingo poderia ficar ainda pior...
Graças a Deus é segunda. Hoje não vai ter shopping e nem celular descarregado.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

De Ibiúna a São Roque

Tô aqui correndo, entre uma nota e outra, um pedaço de torta de liquidificador e me preparando para um evento de decoração. Mas foi agora - acho que animada com a notícia que a restituição do IR vai vir este mês - que a inspiração surgiu. Lembrei da nossa viagem, que teve a companhia remota de Jads e Jackson, dois sertanejos que nem sabia que existiam, e de tudo o que aconteceu naquele um dia e pouco em que passamos juntas nessa primeira vez. Veio tudo assim, de uma vez. A loira botocada e barraqueira, nossa peregrinação em busca de um simples restaurante, você reclamando das ladeiras, do meu café na padaria, da nossa trepada (não resisti, sorry) deliciosa, do varão da cortina que bateu na sua cabeça (cujo um pedaço foi parar no jardim), da nossa busca pelos espetinhos que me deixaram lariquenta na entrada do hotel assim que o panfleto chegou à minha mão, das nossas risadas, do bar, da cerveja xoxa, da cachorrada insana... E que no dia seguinte continuou no café, na ida pra São Roque, no encontro com seus amigos, de você chamando minha atenção pra eu lagar o celular, no frio que estava na casa da Chicarelli, do pen drive vermelho que precisa urgentemente ser reciclado ou renovado... lembro de tudo, na sequência. Mas o que me marcou foi seu cuidado comigo, em todos esses momentos. Ali, me senti, mais do que nunca, sua mulher, sua namorada de verdade. "Cama de solteiro ou de casal?", perguntou o atendente do hotel. "De casal", respondeu minha mulher, minha namorada.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Porque eu sei que é amor

Vai desgastar, sim. Tem que ter fiapo, estar esfoladinho, até calejado se for o caso. Tem que ajustar para o que já é perfeito ficar ainda mais perfeito. Tem que conversar, se irritar, contrariar, ter mimimi, discutir por bobeira, por assunto sério. Que seja logo, que tudo se resolva com um PELO AMOR DE DEUS chega! Que seja bem no dia dos dois meses. Pra saber qual é, respirar, e ter certeza de que veio pra ficar. Amor é aquela calça jeans que a gente ama, o tênis velho de que a gente não se desfaz. Amor é conforto. E a gente só consegue ficar confortável depois de certo tempo de uso. Vai desgastar, sim. Porque é amor. É muito amor. 

Em dobro

Que a gente continue se cruzando, se achando e se perdendo nesses caminhos loucos da vida - até mesmo quando o waze insiste em nos mandar pra lugares desconhecidos, é sempre perfeito ao seu lado.


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Daysleeper

Há dias em que as alegrias são insuficientes. E olha que elas são muitas. Das simples mas não menos importantes e que a gente esquece: saúde, um trabalho empolgante, uma casa... Sim, tudo está em ordem. Recentemente, inclui mais um item de valor à lista: o amor, que chegou a mim com nome e sobrenome. Amar é bom, ser amada é incrível.
Mas hoje as coisas meio que saíram ao controle e meu coração está apertado, cheio de saudade e melancolia. A resiliência e a aceitação tão presentes e importantes, deram uma trégua. É um dia, eu sei. Preciso respeitar esses meus momentos e deixar a dor dançar, como diz a música da Marisa Monte que não parei de escutar desde que acordei.
 Justo hoje o sol não apareceu. O dia está cinza. E cinza foi a cor da blusa que botei, consciente ou inconscientemente nesta quinta, que eu quero logo que acabe.