Ontem foi um dia estranho. Domingos de plantões costumam ser, aliás. E não poderia ser diferente. Comecei o dia falando o inglês que eu não sei e não entendo com dois alemães, uma norueguesa e um casal texano. Eles estavam desembarcando de um navio e abriam a temporada de cruzeiros em Santos. De lá, atravessei a cidade rumo a São Vicente para entrevistar jovens que sonhavam em ingressar na universidade pública, a Unesp. Voltei pra redação, escrevi e fui pra casa, umas cinco e pouco da tarde. Um dia chuvoso, frio. Dei sorte e entrei no ônibus e decidi passar na minha mãe onde emendei uma agradável conversa sobre a lápide do meu pai. "Acho que vou vender o lóculo do Memorial e deixar paga três cremações. A anuidade tá ficando pesada e, quando a mãe morrer, eu não vou poder bancar sozinha", disse ela. Eu acenei a cabeça, concordando e disse: "Acho justo. Vamos ver como fazemos isso na prática. Eu ligo lá amanhã".
E enquanto eu falava, recebi uma ligação de uma xará. "Thaís, é a Thaís da loja tal. Sua encomenda chegou". Pensei: vou lá amanhã. Pensei de novo: amanhã ela vem e vou me embolar. Melhor ir hoje. Peguei meu-guarda chuva, disse tchau e lá fui eu pro shopping Praiamar. O amor tem dessas coisas: a gente não se incomoda de sair de uma cidade e ir para outra. Entrei num Ponta da Praia lotado, mas estava feliz porque ia comprar o presente dela. Shopping, domingo com chuva: combo da desgraça. Aquilo lá parecia o Inferno de Dante no pior dos seus círculos. Pra completar, a encomenda não era o que eu queria. Decidi comer e só quem conhece sabe o que é a Praça de Alimentação do Praiamar, aquela barulho, aquele tanto de gente. Nessa brincadeira, já eram quase dez horas. Fui pro ponto, a duas quadras do Praiamar... Como venta naquela Alexandre Martins, Nossa Senhora. Chovia, eu tava molhada, cansada e com dor de barriga. Mas o ônibus veio vazio. Tava sem celular, que havia ficado sem bateria. Pacote completo de maus acontecimentos pra fechar o domingão. Cheguei em casa, corri pro banheiro e pra avisar que havia chegado.. tirei uma foto sorrindo pra tentar fingir que tava tudo bem. Mal sabia que o domingo poderia ficar ainda pior...
Graças a Deus é segunda. Hoje não vai ter shopping e nem celular descarregado.
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