segunda-feira, 7 de abril de 2014

Ausência

Porque de todas as ausências a daquele dia foi a mais sentida. Por instantes intermináveis nos perdemos e não sabíamos mais quem éramos, o que acreditávamos ser real, o que sentíamos. De uma hora para outra, fomos parar num labirinto de pensamentos confusos e desconexos e, desnorteados, procuramos pela saída. Aquela que deixaria tudo como antes e traria a paz que encontramos e estabelecemos como nossa. Foi tanta saudade que fez doer e fez chorar e fez escurecer o que era para ser um dia com a mais completa felicidade. E hoje, quando esse dia triste já havia acabado, rimos e sorrimos juntos, ainda meio acanhados, por quase nos perdermos em devaneios sem o menor sentido. Ao percebermos nossas vozes calmas e que a agonia tinha ficado lá atrás, tivemos a certeza de que não queremos sentir nunca mais o gosto amargo das incertezas.


Outubro/2010

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Diferentes quereres


Tem aquele momento em que o ideal nos bate à porta. Entra, senta-se à vontade e permanece. De alguma forma, você quer quer vire pra sempre. Que o café da manhã feito com tanto afeto e carinho não fique apenas em uma xícara nem no pão fresquinho com cream chesse. Dentro daquele mundo, lavar a louça parece um programa divertido e para ser repetido em looping infinito depois de almoços gourmets regados a bons vinhos, boas cervejas e boa música. Você pisca os olhos, cai em si e é preciso passar tinta no cabelo, tirar a sujeira de cocô de passarinho que pode queimar a lataria do carro e esquecer de tudo aquilo. A pergunta que escutou na saída (você gosta de mim?) e o até mais tarde procedido de um beijo na boca não fazem mais sentido. São seis da tarde, as lembranças diminuem e a impressão é que nada mais sustenta o que foi aquilo. Cai, frágil, como as contas das pulseiras que estouraram no chão do banheiro. Embora o mesmo horizonte, um jeito diferente de enxergar as coisas. Outras perspectivas de tudo. Não seria impedimento nem tampouco ruim. Não fosse um detalhe: o querer.