quarta-feira, 2 de abril de 2014

Diferentes quereres


Tem aquele momento em que o ideal nos bate à porta. Entra, senta-se à vontade e permanece. De alguma forma, você quer quer vire pra sempre. Que o café da manhã feito com tanto afeto e carinho não fique apenas em uma xícara nem no pão fresquinho com cream chesse. Dentro daquele mundo, lavar a louça parece um programa divertido e para ser repetido em looping infinito depois de almoços gourmets regados a bons vinhos, boas cervejas e boa música. Você pisca os olhos, cai em si e é preciso passar tinta no cabelo, tirar a sujeira de cocô de passarinho que pode queimar a lataria do carro e esquecer de tudo aquilo. A pergunta que escutou na saída (você gosta de mim?) e o até mais tarde procedido de um beijo na boca não fazem mais sentido. São seis da tarde, as lembranças diminuem e a impressão é que nada mais sustenta o que foi aquilo. Cai, frágil, como as contas das pulseiras que estouraram no chão do banheiro. Embora o mesmo horizonte, um jeito diferente de enxergar as coisas. Outras perspectivas de tudo. Não seria impedimento nem tampouco ruim. Não fosse um detalhe: o querer.

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