quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Meus planos não deram certo. E aí?

Em 2015, era pra eu ter dois filhos, morar numa casa com cachorro, ser mulher de um executivo e escrever matérias que iriam mudar o mundo. 2015, de fato. Uma filha, dois casamentos desfeitos, vivendo de aluguel e repórter e produtora de uma revista. Tá, a parte do filho e da profissão deram certo.Acho que o primeiro plano fracassado foi quando não passei no vestibular no Rio de Janeiro. Aluna mediana, apesar de nunca ter repetido de ano, tive q ficar feliz com a aprovação em jornalismo na minha Cidade. Não tenho do que reclamar pois vivi anos incríveis e conheci as melhores pessoas da minha vida. Sempre consegui estágios e, formada, logo comecei na área. 
Perto dos 25, resolvi que era hora de deixar as noitadas e arrumar um namorado; o que de fato aconteceu. Namorado que virou noivo e depois marido, mas que seis anos depois e com uma filha pequena, resolveu que não gostava mais de mim e se foi. 
E aí eu achava que encontraria logo um cara bacana. E esse projeto também não foi pra frente. Pelo contrário: foi a época em que conheci mais filhas da puta por metro quadrado. Eles caíam da árvore e entravam direto na minha vida. 
Até que um senhor chegou com um sotaque português e uma conversa lenga lenga que eu comprei e abracei como minha. Me apaixonei e me encantei na hora. Casa, ainda que sem um móvel na sala, quarto pra filha, dono de um comércio, um cara conhecido,  pensei: agora vai. Mal sabia. Canalhice 10.8 na escala Richter. Porque até então os prejuízos tinham sido emocionais. E com ele, ainda me ferrei financeiramente. Até minha samsonite novinha ele levou. Os canalhas também envelhecem. 

Claro que a vida não são apenas os relacionamentos amorosos, há mais coisa lá fora, sim. Mas eles são parte fundamental da construção da gente. No fundo, sempre queremos alguém por perto. Nem que seja para mandar ou receber um whatsapp de boa noite.
Engraçado que, para alguns, a vida segue como dois e dois são quatro. Tudo vai indo praticamente como planejado - e o Facebook ajuda a vender essa falsa ideia.  Para outros,  a vida é a reunião de textos do Nelson Rodrigues, com seus momentos tragicômicos. 
Mas tem uma coisa que eu percebo, que seja a vida planejada como a matemática ou com jeito de crônica, todo mundo está na mesma corda bamba. Lidando com problemas, com cara feia, com morte, com doença, com frustrações, com ansiedade, com um desejo profundo de mudar vida, largar tudo e comprar um sítio no Interior ou uma casa na praia. 
Então, com ou sem planos, a vida vai acontecer. Os meus não deram certo e isso nunca foi problema. Chego aos 41 cheia de pepinos pra resolver, contas pra pagar, um corpo esquisito, mas sorriso nos lábios e língua afiada para palhaçadas e ironias. Espero, sinceramente, continuar protagonizando cenas dignas de Nelson Rodrigues. Sempre fui péssima com números.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Asas do Desejo

- Quando você colocou a mão no meu rosto para me dar um beijo de tchau, ali, naquele momento, eu já construí toda um história com final feliz.
- Corta, diz o diretor.


PS: criamos aqui a categoria de títulos com nome de filmes.

Você tem medo de querer

Tantas pausas, plays incompletos e energia sendo desperdiçada no modo stand by. Acho que é chegada a hora do stop definitivo. Criar coragem e tirar essa história da tomada.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Message in a box

Sábado participei de uma vivência incrível com a Rosa Maria Vianna. A segunda que fiz com esta professora mais do que especial. Cultura de paz, valores humanos, transformações.  Bem, eu tava precisando sair um pouco do ar, das questões práticas, dos problemas... Logo no primeiro exercício, ela propôs para a gente entrarmos em um jardim. O meu, claro, tinha muitos girassóis e uma fonte bem no meio. E ali, era preciso ver a família, os amigos, as pessoas importantes. Duas pessoa surgiram e com elas conversei. Depois dessa meditação, era hora de pegar alguém no salão para dividir nossa experiência. Eu conheci a Beth. Contei do meu jardim e das pessoas que apareceram nele. Ela me contou a história dela e ainda me fez um alerta: coloque suas dúvidas em em uma caixa. Na volta, a Rosa pediu para fazermos um desenho e assim surgiu minha caixa. A vivência transcorreu entre palavras, danças e inspirações. No final, disse para escrevermos o que aquela manhã tinha significado e o que faríamos de diferente a partir de então. Apesar do tom genérico de minhas palavras, duas resoluções: a primeira é trazer cuidados paliativos para nossa cidade. A segunda é fazer exatamente o que a querida Beth sugeriu: arrumar uma caixa.


terça-feira, 17 de novembro de 2015

I was so scared to face my fears

Estou relendo os posts que fiz para você. Desde que comecei a escrever, os acessos do blog aumentaram e as pessoas chegam aqui de maneiras engraçadas. O fato de colocar letras de músicas nos títulos acaba atraindo muita gente - e a do Los Hermanos é campeã. Ninguém deve entender muita coisa. Nesse quesito, deu empate. Para onde vão todos esses sentimentos que já transformei em palavras?

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

São dois pra lá dois pra cá

Agora eu quero falar sério. Precisa perguntar justamente para mim o que significava a expressão em inglês? Não seria mais fácil o Google? Ou a ideia era mesmo prolongar o assunto? Porque eu ia perguntar o motivo da dúvida. Sei lá, uma frase bem clichê até para os mais analfabetos no idioma. Eu não precisava saber. Tantas coisas e eu deveria saber que tinha a ver comigo? Aliás, eu nem sei direito se tem. Não opero por metáforas. Preciso de informações concretas, fatos, como o dia em que te disse: ele queria voltar, mas disse que tava em outra. Assim, de pronto. A conversa acabou esquisita, assim como começou. E pensar que poucas horas antes, você tinha mandado duas músicas pra eu ouvir... tava tudo indo tão bem. Os astros disseram que, a partir de hoje, posso ser muito controversa. Melhor ficar quieta. Dois passos pra frente e um pra trás. E assim caminhamos.

Uma não quase briga

- Leia direito
- Entendi, mas por quê?
- Esquece
- Nada disso. Conversas incompletas, não...
- Depois te falo sobre isso...
- Sei lá..
- Tá bom. Sei lá tb.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Eu juro que é por amor

Sabe, mãe, eu estou com medo. Medo de dizer que preferiria te ver partir. São três anos e quatro meses em que não ouço mais a sua voz fininha a chamar Thaís, que não discordamos, que não concordamos. Que você não faz mais churrasquinho pra Luiza nem a protege de alguma enrascada que ela se meteu. Sem falar da carne enroladinha, do nhoque, de todas as coisas que me ensinou apesar da nossa gritante diferença de geração e opiniões. Você faz tanta falta que nem tem ideia. Uma saudade que corta e, pra mim, vê-la assim é sofrimento. Principalmente o seu, porque sei que você sofre, que você tem dor, enfim, que não é legal estar do jeito que está. Mas ao mesmo tempo, sinto que você quer ficar como se tivesse algo pra viver, pra ver...Tento compreender as razões que levam alguém que foi sempre tão bacana, tão boa, ter que passar por todo esse processo antes de partir. Porque você vai partir e, desde o dia 8 de julho, espero o telefone tocar. Uma angústia que aumenta a cada internação, a cada infecção que já debilita o seu frágil corpo. Mais remédios, mais expectativas, mais angústias. Porque mesmo melhor, você não irá melhorar; eu sei; todos sabemos. Essa noite eu mal consegui dormir e chorei muito pedindo a Deus que a reconfortasse, que trouxesse alívio para sua alma, seu coração. Tem gente que me julga, sabe? Acha que sou egoísta e fria. E eu só queria resolver o seu problema (você sabe que eu tenho a mania de querer resolver os problemas de todo mundo, menos os meus, né?). Eu lembro que quando ia com você às reuniões do Neuróticos Anônimos, duas coisas sempre me chamaram a atenção: a Oração da Serenidade, que sempre achei belíssima, e o lema Só por Hoje, que tenho tentando colocar em prática desde o seu AVC. Tem sido difícil para todos, mãe. E imagino que muito mais para você, se desgarrar da gente. Você vai fazer falta, aliás, já faz. Mas acho que chega e eu já conversei com você sobre isso. Vai ficar tudo bem, te juro. É duro demais e, se eu tivesse um poder, seria tirar com as minhas mãos esse tudo isso que você vem pensando. Perdão pelas minhas ausências, mas cada um lida de um jeito. Mas acho que tá na hora, aliás, passou da hora. E eu dou minhas broncas em Deus, assim como você fazia. Desculpa, mãe, só que a única coisa que eu sinto por você é amor e é por amor que eu desejo que você vá. Te amo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer

E por falar em pertencimento, embora cause um fundo de tristeza, é cada vez mais claro o meu não fazer parte. Ainda que cheguem fotos, vídeos e eu me sinta o seu moleskine de acontecimentos. Está sendo difícil viver de vento. Meu pastel precisa de recheio.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Câmera escondida

Das pegadinhas que protagonizo nessa vida. O moço vai fazer orçamento pra instalar o ar-condicionado.
- Dá para fazer, mas tem que chamar o Cordeiro.
- Seu amigo?
- Não, dona Thaís. O homem da corda...

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Desce rivotril!

Conheci um casal durante o feriado. Eles adotaram um menino no início do ano. Uma coisa fofa de especial, inteligência e bom humor, que conquista qualquer pessoa logo de cara. Diferentemente de outras pessoas, eles não se importaram com a idade avançada do menino, que tem seis anos, e nem com a cor, já que ele é moreno e os pais, branquinhos. Pois bem: a mãe já ouviu "de um tudo" (como diria meu amigo Gustavo) sobre a adoção. Ah, mas por que tão grande? Por que não pegou um menor? Grande já pode ter má índole e toda aquele rol nojento de afirmações e verdades revestidas de puro preconceito. Mas duas me chamaram a atenção. Que a mãe do menino iria ter saudade de trocar fralda e de ver os dentinhos nascendo... UATE?? E eu, com esse meu jeito prático e realista, disse: olha, a pessoa que fala que tem saudade de trocar fralda, precisa de um psiquiatra. E urgente! Por que, vamos ser sinceras, desde quando é legal trocar fralda? De madrugada? Quando vaza tudo e tem que mudar a roupa de cama toda? Ou na rua? Quando a gente não leva roupa extra porque acha que não vai demorar e a criança resolve fazer um DAQUELES? Tudo bem, trocar fralda faz parte, mas daí a dizer que dá saudade são outros quinhentos. E com a história do dente é a mesma coisa. Quando nascem os primeiros dentinhos a criança tem febre, fica enjoadinha, incomodada... E tem mais: nasce dente pra cacete e alguns vão cair tudo depois, né? Fala sério: dente? Como o casal é sensacional, nem liga pra essas bobagens, claro! Mas que o ser humano pensa torto e precisa evoluir, isso precisa... Porque nessa história, o que importa mesmo é o menino lindo que eles resgataram das mazelas da vida e que agora amam incondicionalmente. Um encontro maravilhoso que se transformou em família.