Em
2015, era pra eu ter dois filhos, morar numa casa com cachorro, ser
mulher de um executivo e escrever matérias que iriam mudar o mundo.
2015, de fato. Uma filha, dois casamentos desfeitos, vivendo de
aluguel e repórter e produtora de uma revista. Tá, a parte do filho
e da profissão deram certo.Acho
que o primeiro plano fracassado foi quando não passei no vestibular
no Rio de Janeiro. Aluna mediana, apesar de nunca ter repetido de
ano, tive q ficar feliz com a aprovação em jornalismo na minha
Cidade. Não tenho do que reclamar pois vivi anos incríveis e
conheci as melhores pessoas da minha vida. Sempre consegui estágios
e, formada, logo comecei na área.
Perto dos 25, resolvi que era hora de deixar as noitadas e arrumar um namorado; o que de fato aconteceu. Namorado que virou noivo e depois marido, mas que seis anos depois e com uma filha pequena, resolveu que não gostava mais de mim e se foi.
E aí eu achava que encontraria logo um cara bacana. E esse projeto também não foi pra frente. Pelo contrário: foi a época em que conheci mais filhas da puta por metro quadrado. Eles caíam da árvore e entravam direto na minha vida.
Até que um senhor chegou com um sotaque português e uma conversa lenga lenga que eu comprei e abracei como minha. Me apaixonei e me encantei na hora. Casa, ainda que sem um móvel na sala, quarto pra filha, dono de um comércio, um cara conhecido, pensei: agora vai. Mal sabia. Canalhice 10.8 na escala Richter. Porque até então os prejuízos tinham sido emocionais. E com ele, ainda me ferrei financeiramente. Até minha samsonite novinha ele levou. Os canalhas também envelhecem.
Perto dos 25, resolvi que era hora de deixar as noitadas e arrumar um namorado; o que de fato aconteceu. Namorado que virou noivo e depois marido, mas que seis anos depois e com uma filha pequena, resolveu que não gostava mais de mim e se foi.
E aí eu achava que encontraria logo um cara bacana. E esse projeto também não foi pra frente. Pelo contrário: foi a época em que conheci mais filhas da puta por metro quadrado. Eles caíam da árvore e entravam direto na minha vida.
Até que um senhor chegou com um sotaque português e uma conversa lenga lenga que eu comprei e abracei como minha. Me apaixonei e me encantei na hora. Casa, ainda que sem um móvel na sala, quarto pra filha, dono de um comércio, um cara conhecido, pensei: agora vai. Mal sabia. Canalhice 10.8 na escala Richter. Porque até então os prejuízos tinham sido emocionais. E com ele, ainda me ferrei financeiramente. Até minha samsonite novinha ele levou. Os canalhas também envelhecem.
Claro
que a vida não são apenas os relacionamentos amorosos, há mais
coisa lá fora, sim. Mas eles são parte fundamental da construção
da gente. No fundo, sempre queremos alguém por perto. Nem que seja
para mandar ou receber um whatsapp de boa noite.
Engraçado que, para alguns, a vida segue como dois e dois são quatro. Tudo vai indo praticamente como planejado - e o Facebook ajuda a vender essa falsa ideia. Para outros, a vida é a reunião de textos do Nelson Rodrigues, com seus momentos tragicômicos.
Mas tem uma coisa que eu percebo, que seja a vida planejada como a matemática ou com jeito de crônica, todo mundo está na mesma corda bamba. Lidando com problemas, com cara feia, com morte, com doença, com frustrações, com ansiedade, com um desejo profundo de mudar vida, largar tudo e comprar um sítio no Interior ou uma casa na praia.
Então, com ou sem planos, a vida vai acontecer. Os meus não deram certo e isso nunca foi problema. Chego aos 41 cheia de pepinos pra resolver, contas pra pagar, um corpo esquisito, mas sorriso nos lábios e língua afiada para palhaçadas e ironias. Espero, sinceramente, continuar protagonizando cenas dignas de Nelson Rodrigues. Sempre fui péssima com números.
Engraçado que, para alguns, a vida segue como dois e dois são quatro. Tudo vai indo praticamente como planejado - e o Facebook ajuda a vender essa falsa ideia. Para outros, a vida é a reunião de textos do Nelson Rodrigues, com seus momentos tragicômicos.
Mas tem uma coisa que eu percebo, que seja a vida planejada como a matemática ou com jeito de crônica, todo mundo está na mesma corda bamba. Lidando com problemas, com cara feia, com morte, com doença, com frustrações, com ansiedade, com um desejo profundo de mudar vida, largar tudo e comprar um sítio no Interior ou uma casa na praia.
Então, com ou sem planos, a vida vai acontecer. Os meus não deram certo e isso nunca foi problema. Chego aos 41 cheia de pepinos pra resolver, contas pra pagar, um corpo esquisito, mas sorriso nos lábios e língua afiada para palhaçadas e ironias. Espero, sinceramente, continuar protagonizando cenas dignas de Nelson Rodrigues. Sempre fui péssima com números.
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