terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O dia em que virei senhora

Tudo ia bem até este dia. Tinha 33 anos e ia deixar minha filha na escola, no Canal 1. Quando passava pela padaria Roxy, um carro ia saindo. Ao nos ver, o condutor bonitão disse: pode ir senhora. Aquele senhora ecoou durante alguns dias. Como assim um bonitão que deveria ter a minha idade me chamou de senhora. EU, UMA SENHORA? Talvez tenha sido um sinal de respeito por eu estar com uma criança, mas talvez tenha sido porque ele me achou, realmente, uma senhora. De lá pra cá foram várias as vezes em que me chamaram de senhora e agora, confesso, nem ligo mais. Enquanto escrevo lembro de um dia que, no almoço, falei que era jovem e minha mãe disse: você não é mais jovem, você é uma mulher adulta com uma filha. E era verdade e, já nessa época, abandonei os curtos quando saía com a Luiza. Hoje, ser chamada de senhora e dona Thaís não mais me incomodam. E algumas vezes até gosto, pois cria um distanciamento necessário. Daqui a exatos 30 dias farei 40 anos. Serei de fato e de direito uma senhora. Ser senhora, e demorei para entender, não é o mesmo que ser velha. Porque velha, apesar de cronologicamente eu me transformar, eu nunca serei. Nem velha, nem jovem. E graças ao bom Deus e ao amadurecimento, não tenho mais cabeça de jovem. Porque jovem e ser jovem cansa, sejamos verdadeiro. Eu estou mais pra cansada, no meio da jornada. Então, daqui a 40 anos e, espero estar lúcida e bem para continuar escrevendo e contar tudo, serei uma senhora de 80. Torcendo para ser (só) um pouco diferente da senhora de hoje.