segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Folhinha recontada

Dois dias para serem pulados. Tirar do calendário e fingir que não existiram. Apagar da mente. Deixar a memória para registrar o erro e não cometer insanidades a troco de nada. Segue a culpa, segue a vergonha, segue o jogo, segue o mesmo e mais profundo amor.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Em ebulição

Abro um e-mail que pouco uso e acho esse texto. Bem atual. Continuo odiando a vida morna.

Abriu a garrafa, colocou o café na xícara. Estava morno.
- Nossa, que café ruim. Tá morno. Jogou o café na pia e fez outro. Enquanto colocava as quatro medidas do Mellita Tradicional começou a pensar e lembrou que não gostava de nada morno. Nem a água do banho, que sempre era quente no frio ou fria nos dias quentes. E até mesmo os dias. Gostava daqueles de calor ou de frio. Os mornos, nunca. Cerveja, então, nem pensar. O mesmo para o ar-condicionado. Nada morno a atraía. A comida gostosa tinha que ferver. O sorvete ideal tinha que fazer doer. Pessoas para entrarem em sua vida tinham que mexer profundamente. Em tudo. Era preferível estar sozinha do que alguém por perto que causasse mais ou menos alguma coisa. Não, ela não queria uma vida morna.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Gramática

Ela tinha razão: fazia tempo mesmo que eu não aparecia por aqui. Mas o final de ano voou. Foram três viagens emendadas. Em um delas, tomamos vinho em uma banheira com luz colorida em uma suíte cuja diária custa mais de R$ 1.500. Tudo bem que encarar a feijoada vegana não foi fácil e a careta dela -  "ai amor, não vou comer" -  pra tal da linguiça que não era linguiça foi impagável. Nessa volta que tive a minha epifania: sim, era tudo que sempre busquei. Saí da Serra da Mantiqueira e peguei o caminho da praia, em cinco loucos dias pelo Litoral Norte. Viajamos juntas, de certa forma.  Mal cheguei, peguei a mala, fiz uma pra Luiza e fui pro Rio de Janeiro. Fui turistar pesadamente. Voltei e férias, praia, praia, praia. Descansei e aí veio o Natal, o Ano-Novo. Motivos pra celebrar? Sim, eu tive. Pra agradecer, mais um monte. Na segunda pensei num post, mas estava no ônibus e acabei não escrevendo. Ontem, quando tentei, parei na quarta linha. Era algo sobre pontuações. Pontos finais, vírgulas, reticências. Sim, esses três pontos são tão bacanas... o futuro que se avista me parece cada vez melhor. Embora tenha um ponto e vírgula rondando por aí é algo que tento conviver, mesmo sabendo que um dia ele se transformará em ponto final.