Abro um e-mail que pouco uso e acho esse texto. Bem atual. Continuo odiando a vida morna.
Abriu a garrafa, colocou o café na xícara. Estava morno.
- Nossa, que café ruim. Tá morno. Jogou o café na pia e fez outro. Enquanto colocava as quatro medidas do Mellita Tradicional começou a pensar e lembrou que não gostava de nada morno. Nem a água do banho, que sempre era quente no frio ou fria nos dias quentes. E até mesmo os dias. Gostava daqueles de calor ou de frio. Os mornos, nunca. Cerveja, então, nem pensar. O mesmo para o ar-condicionado. Nada morno a atraía. A comida gostosa tinha que ferver. O sorvete ideal tinha que fazer doer. Pessoas para entrarem em sua vida tinham que mexer profundamente. Em tudo. Era preferível estar sozinha do que alguém por perto que causasse mais ou menos alguma coisa. Não, ela não queria uma vida morna.
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