sexta-feira, 10 de junho de 2011

Por tudo que virá

Meu Neruda predileto pra vc...

Quero saber

Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com uma condição: não nos compreender

quinta-feira, 9 de junho de 2011

As muretas da Ponta da Praia

Acho que todo mundo que mora em Santos tem uma ligação meio nostálgica com as muretas da praia. Não sei quando a minha começou mas um dia eu estava lá, encostada nas muretas da Ponta da Praia, pensando na vida. Ali eu já chorei, já ri, agradeci, pedi. O meu trecho favorito é em frente ao Enseada, prédio lindo do Artacho Jurado. Daquele ponto, eu vejo navios chegando e partindo tendo ao fundo a Fortaleza da Barra. Já levei e falei do meu refúgio para algumas pessoas, ensinando-as meus truques de fuga e realidade naquele pedaço, que fica lindo em qualquer estação do ano. Nem todas entenderam (compreender meus devaneios nem sempre é fácil, admito), mas as que gostaram certamente já voltaram, ainda que em pensamento. Eu vou pras muretas de vez em quando. Outro dia mesmo fui dar um passeio imaginário, quando vi as jóias da Sandra Ceolin . Ali me esvazio; para o cargueiro já cheio, mando embora tudo o que não quero ou serve mais. Ao mesmo tempo me preencho com a chegada de mais um navio, outra esperança.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Canção de ninar

Você não precisa mais ter medo do escuro porque eu estou aqui, clareando seu sono, seus sonhos. E se ainda assim nao adiantar, segura na minha mão que eu vou te acalmar. Acabou a escuridão, o medo. Respira fundo e dorme, meu anjo, porque eu vou ficar acordada para espantar esse fantasma sombrio que tomou conta de suas noites. Lá fora tem as estrelas e a lua que iluminam o céu. Aqui ao seu lado, existe a luz poderosa que vem do meu sorriso, da minha presença, da minha alegria. Que só existe porque você a reacendeu...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Banco Imobiliário

Mudar a vida nem sempre é fácil. Porque dá trabalho. E quando a gente muda, quem está por perto também sofre esse impacto. Para o bem ou para o mal. São como peças de um jogo de tabuleiro. Alguns vão para frente com você, outros param e há os que recuam. Acho o movimento sensacional. Mas uma pena que tanta gente fuja disso e por tantas e tantas implicações. Um egoísmo, se pensarmos bem. Ao optar pela estagnação, essa pessoa atinge uma rede que a acompanha. Fico muito feliz quando vejo alguém insatisfeito decidir virar a mesa da própria vida e se jogar: num novo trabalho, num novo amor, em novas amizades. Gente que vive a vida do melhor modo que existe: vivendo! Ao mesmo tempo lamento quem decidiu viver uma vida no modo mais ou menos, sobrevivendo, empurrando, levando. Mais na frente, as limitações físicas surgem, o cansaço da idade bate e aí que não se faz nada mesmo. Num domingo tedioso, sentado em sua poltrona, com o controle remoto nas mãos, surge a grande pergunta: o que eu fiz da minha vida? Sem respostas, só resta mudar o canal e esquecer.