domingo, 26 de agosto de 2018

Meu coração dispara, tropeça quase para

Eu tinha um sonho que eu nem sabia que era sonho. Eu sonhava em ter uma namorada. Demorei muitos anos pra descobrir isso. Sempre olhava os casais de mulheres e pensava em ter um amor assim. A vida com uma mulher deve ser algo muito especial. Eu realizei o meu sonho e foi sensacional. Foi intenso. Não foi um conto de fadas, claro. As coisas saíram do controle. Muito atrito, muita treta. Tem muito amor ainda, eu sei, só que a gente não sabe como vai lidar daqui pra frente. Estamos no chão. O chão que era pra ser da nossa casa de madeira. Hoje, seriam duas casas, cada uma com um projeto diferente. A sua vai ter uma sala em L. A minha, uma lareira e um ofurô. Se bem que dá pra ter tudo no mesmo espaço. Quem sabe.
Sei que um dia você vai ler esse post e não sei como estaremos quando isso acontecer. Mas saiba que seu amor e o amor que sinto por você mudou minha vida pra sempre. E sou grata por isso. Meu coração será reluzente quando pulsar por você.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Comer, Reza, Amar 2

Ontem, saí 40 minutos antes do jogo Brasil x México para o trabalho. Só tinha eu e o vendedor de água, um cara de uns 20 e tantos anos de óculos redondo, no ponto de ônibus. Senti inveja e, naquele momento, queria ser exatamente como ele. Como uma jornalista que trabalha numa revista, escreve sobre coisas caras, lugares badalados, pensa em vender água num ponto de ônibus? Sinal claro de que há algo errado com o que estou fazendo com os meus dias. Passa uma segunda como mais uma segunda. Chego em casa e cozinho como mais uma noite. Tudo absolutamente igual, exceto uma preocupação com a Isa, que tem tido dias ruins do ponto de vista da saúde. Acordo para mais uma terça: estendo roupa, ponho outras pra lavar, varro a cozinha, tomo banho, café, me arrumo. Saio de casa e pego o ônibus e começo a ler meu livro Comer, Rezar, Amar que parece não ter fim, que está difícil, assim como o Gurugita que Liz não consegue fazer direito. Mas aí no capítulo 57, depois de ela ter, finalmente, completar o Gurugita em paz (ele tem 182 cânticos, número de capítulos do livro), entendi por que eu queria tanto ser aquele vendedor de água. Ela falou a respeito de uma meditação muito específica, a Vissipana, em que as pessoas ficavam imóveis e em silêncio. Sem mantras, sem subterfúgios, apenas em seu silêncio. O moço da água nem deve se dar conta, mas ele é controlador do seu silêncio. Fala quando quer, quando precisa. Não posso me dar a esse luxo. Trabalho numa sala com mais de 60 pessoas juntas. As cinco televisões estão nos jogos da Copa. Todo mundo fala, tem opinião, o telefone toca. Mudamos há pouco para um prédio novo, de primeiro mundo que tem até espresso grátis. Mas eu só consigo pensar no vendedor de água.

Comer, Rezar, Amar

Estou lendo ComerRezarAmar. Fiz o caminho inverso: vi o filme trocentas vezes - verei tantas vezes eu puder, adoro, me emociono... Enfim. Liz está na Índia agora, em um asharam, meditando, buscando Deus ou sei lá o quê. Eu nunca quis ir para Índia ou meditar ou ter um guru. No livro, Liz sente tudo isso no meio dos 30. Eu, nesta idade, estava vivendo outras coisas. Também experimentava o fim de um casamento mas, ao mesmo tempo, havia feito uma bariátrica e isso mexeu de forma positiva com a minha autoestima. Eu fiquei bem, mesmo no chão com o término de algo que eu julgava ser para sempre. Meus questionamentos sobre a vida surgiram agorinha, aos 44. A pergunta: o que estou fazendo aqui? Qual meu propósito? e tantas outras surgiram praticamente ao mesmo tempo que eu dava feliz Ano-Novo para a Isabela, a minha namorada. Tenho pensando em ir para a Itália porque de todos os lugares que a personagem vai e me intrigam está a Itália, mais precisamente a região da Toscana. Não é para comer muito, já que a redução me impede a fazer grandes orgias gastronômicas. Eu apenas queria ir lá para ver qual é. E enquanto quero e penso nisso, me volta a pergunta sobre o que é a vida, de verdade. São os planos do próximo churrasco (que no meu caso já tem até data marcada, logo ali no sábado), a próxima viagem (por enquanto temos a Bahia, em dezembro)? Estou à procura de sentidos. Talvez seja isso. E, enquanto não tenho dinheiro para ir para a Europa, para responder minhas perguntas, encaro semanas de 12 dias, treto com a minha namorada e penso em Salvador, ainda que dezembro me pareça meio distante. 

quinta-feira, 8 de março de 2018

Tiãzinha

Meu tio Carlos se foi na semana passada, aos 82 anos. Diagnosticado com Alzheimer, partiu aos poucos. Sempre foi muito amoroso com a minha tia Lilia (eles fariam 52 anos de casados este ano), a quem chamava de meu amor, minha velhinha. Não pude me despedir do meu tio, dar um abraço na minha tia e primos, como gostaria. E só hoje tive coragem de ligar pra minha tia, que mora no Rio. Relembramos histórias, lamentamos sua partida... E foi aí ela me contou que há poucos dias, junto com pentes que ele guardou/escondeu pela casa, encontrou diversos bilhetinhos. “A letra não já estava tão bonita como antes – tio Carlos tinha uma letra linda – mas achei papéis com frases como eu te amo, minha velhinha, meu amor. Fiquei triste e feliz ao mesmo tempo”. Tio Carlos foi, realmente, um homem incrível. E nem a doença o impediu de amar.

Tião, tiãzinha era como ele chamava todo mundo. Texto de 2012 do face que veio na melhor lembrança hoje ❤️

quarta-feira, 7 de março de 2018

Meses do nosso ano

Hoje fazemos 1,6 meses. Ou 18 meses, como prefiro contar. Nos estranhamos num telefonema por causa do termo cagar. Nossas brigas muitas vezes parecem cena de programa de humor. Na hora dá raiva mas depois a gente ri. Tem sido relativamente assim nesse tempo e você me diverte e me enlouquece na mesma proporção. Aí fui procurar uma foto nossa, a primeira. E, gente, como a gente tem foto junta. Rindo, fazendo careta, sorrindo, se beijando, posada, espontânea... Que jornada incrível, amor. Olhando pra cada imagem eu lembro do dia, da hora e, em algumas, até do cheiro. Você desperta essas coisas, essas memórias em mim. E eu te amo, mesmo quando você usa verbos que eu detesto (kkk).

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Resiliente por natureza

Minha mãe foi uma mulher incrível. Parou os estudos qdo a mãe dela morreu pra cuidar do pai, meu avô Juvenal, que não conheci, mas de quem ela herdou os olhos verdes. Aos 11 anos pegava o trem em Ricardo de Albuquerque, subúrbio do Rio, pra levar comida pra ele. Também, tempero igual ao dela não existia. E a carne enroladinha (bife à rolê) com o nhoque que sinto o gosto até hoje? Meu avô escolheu os melhores nomes para as filhas: Lia (a mais velha), Lilia (minha tia amada) e Lilian (minha mãe). Veio o José depois. Mas minha mãe não era desse planeta. Nunca vi minha mãe gritando, brigando... Ela era resiliente muito antes da gente saber o que era isso. Teve seus momentos ruins mas foi buscar ajuda pra se entender e conheceu o N/A (neuróticos anônimos). Casou com o primeiro amor e o perdeu muito cedo, qdo ela tinha só 50 anos. Teve amigas que a ajudaram tanto: Doralice, Azul e Estrela (e esse dois nomes? Os melhores nomes ❤️), Dirce (ela era uma fineza, já usava os cabelos brancos), Dulce e Ivone (essas duas eram as mais malucas kkk), tia Ruth, tia Marli... Elas eram tão lindas juntas. Depois que meu pai morreu, ela ficou um ano sem passar batom. Mas um dia tudo mudou e ela foi fazer faculdade da terceira idade, virou voluntária com os amigos da classe no Lar Vicentino (um abrigo de idosos e durante anos fizeram bingos, passeios), foi passar o Carnaval na Sapucaí no Rio no meu aniversário de 21 anos e encheu a geladeira e o freezer de cerveja e salgadinhos pra eu chamar meu amigos e comemorar. A gente ia pro teatro, pra shows, ia comer cachorro quente no recém-aberto Carrefour. E mesmo eu, o demônio em forma de filha, ela nunca falou alto comigo e só se alterava em casos extremos. Minha mãe tinha uma sabedoria da vida que era inacreditável. Eu sou caçula e, qdo me vi adulta, ela já tava velhinha. E com a voz fininha, com sua mente contemporânea, ela foi uma mulher foda. E o gosto musical? O som na cozinha  me acompanhou por uma vida: Jobim, Vinícius, Ivan Lins, família Caymmi, Belchior... Só não gostava do Taiguara e falava que ele era muito depressivo e a gente ria. E o requinte natural que ela tinha mesmo sendo uma menina pobrinha do subúrbio? Minha mãe era educada, muito educada e isso é o que tento copiar, mesmo com essa minha loucura toda. Sem nem saber, perdeu a filha mais velha, a Valéria, e o único menino que deu à luz e que fez meu pai tão feliz por ter um filho Júnior (Walber) no meio de tanta mulher. Hoje, somos Cristina e eu, a irmã mais ajuizada e que cuida da minha mãe. Mas isso é assunto pra outra história. Dona Lilian resiste a uma doença grave e nos também, de alguma forma. Que saudade da sua serenidade, mãe!

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Mania de você

A saudade física é algo complicado. O cheiro, o gosto, o toque. Os apertos. Hoje, estou sentindo muita falta disso. Estar longe nesta terça já me fez chorar. Você disse que não precisa e eu sei disso. Olhei pra minha necessaire e te vi ali, no pentinho verde comprado aquele dia perto da minha casa. "Vamos, amor, estamos atrasadas". "Calma, primeiro preciso pentear meu cabelo", você disse. Seu ritual antes de sair do carro. Seu jeito, tão você isso. Esse eu acho lindo. E por isso a falta é tanta nesta terça cinza. Deu até saudade daquela sua mania que me irrita: o volume alto dos stories logo de manhã enquanto eu tô no seu quarto meio dormindo e você vai no banheiro pela quarta ou quinta vez. <3