Ela queria estar diferente aquele dia. Pensou em voltar a ser loira. Viu algumas fotos de anos antes e desistiu na hora. Foi fazer as unhas. Com os pés pintados de vermelho, não queria repetir a cor nas mãos. Chegou no salão e logo decidiu: prata. E assim, unhas prateadas, foi ao encontro dele. Na hora, ele não falou nada e outros assuntos e risadas encheram aquela noite. Tudo parecia igual, mas ela reconhecia as diferenças. Estava sem paciência e, quando percebeu, nem estava mais ali, não fazia mais parte. No dia seguinte, voltaram a se encontrar no mesmo lugar de sempre e, já no caminho para casa depois de mais uma rodada de besteiras e cervejas, ele virou e disse:
- Que esmalte é esse? Ficou muito esquisito.
- Eu também odiei, mas quis mudar, tentar algo diferente.
- Você fica melhor com unhas vermelhas.
- Gosto mais também. Mas esmalte a gente tira, coloca outro. Agora eu sei que eu não gosto dessa cor e não vou passar de novo.
E encerramos a conversa. Em casa, depois de uma despedida sem graça e deitada em sua cama, percebeu que era hora mesmo de mudar. De arriscar novas cores de esmalte, outros temperos e sentimentos à sua vida. Semana que vem talvez ela passe azul-marinho ou verde-militar. Caso não fique bom, sem problemas. Dá para trocar. Sempre.
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