segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Questão de tempo
Você sabe quando o fim chega. E não apenas pelos sinais: o beijo na boca que quase não acontece, o carinho que não vem, o sexo mecânico, as piadas que perdem a graça. Muito mais do que isso: você sente. Sabe. Só que você não quer aceitar de jeito nenhum e se finge de morta, deixando tudo assim, sem sabor, sem gosto, sem cheiro. Vai levando, sentada, à espera de um milagre que possa recuperar toda aquela história que já foi boa e linda. Até que numa sexta-feira, que pode ser quinta, segunda ou domingo, o fim se materializa. E aí você tem que ir pro banheiro chorar porque não quer se humilhar na frente dele. Mesmo sabendo que é o certo a fazer, você não aceita, não quer e aí decide se humilhar e implorar para ele voltar. Pomete que vai mudar, que tudo voltará a ser como antes, que você deixará de fazer o que fazia, que se transformará em outra pessoa. Sem nem perceber, usa todos os clichês dos filmes e das novelas mexicanas. No dia que ele vai arrumar a janela que você quebrou depois de um ataque de fúria, pergunta se vocês vão ficar juntos de novo e ouve: hoje não, mas não sei o que vai acontecer no futuro. É quando você muda de tática e passa a armar barracos, ligar desesperadamente, xingar. Você tem raiva e quer matar aquele homem que está fazendo você sofrer, que te abandonou, que te deixou com dor. Como este sujeito pode deixar alguém tão incrível como você? Você não entende e nessas passa a se agredir. Fuma demais, bebe demais, sai pela rua feito um kamikaze, na tentativa de respostas. Nada disso adianta e você volta para casa para dormir um sono agitado e acordar pior do que quando saiu. O fim dói e dói muito e não há analgésico, antidepressivo, capaz de tirar aquela dor. E quando você chega no seu limite, quando o elástico está quase arrebentando e você pensa em desistir de tudo, você acorda e percebe que está tudo bem, que você está viva, que sobreviveu. É quase uma mágica. Tudo volta a fazer sentido e você tem fé de que as coisas vão dar certo. A vida passa a ter brilho de novo, você resplandece. Redescoberta, transformada, reconstruída, você anda em direção ao futuro. No meio do caminho, alguém te dá a mão e, sem nem perceber, vocês estão indo juntos rumo ao desconhecido. Sem pensar em fim, em dor, em nada.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
... até que chega o fim de novo, ahuahuaha. Inevitável. A vida é assim. Adorei kbção...
ResponderExcluir