Acho que todo mundo que me conhece sabe: eu sou operada. Não, eu não mudei de sexo. Mas há seis anos uma grande mudança aconteceu comigo. E até engraçado falar disso atualmente, já que as cirurgias para reduzir o estômago são mais frequentes e as técnicas bem mais evoluídas. Parece até carne de vaca, lugar comum. Só que tem gente ainda com dúvida, acha esquisito e, outro dia, um colega veio me perguntar sobre a operação, saber se devia ou não fazer. Pra mim, posso falar que foi uma das melhores coisas da vida. Uma mudança física que implicou em transformações psicológicas e emocionais incríveis. Tinha 1,58m, 105 quilos, IMC de 35 e uma séria candidata a tomar remédio pra pressão, desenvolver diabetes, colesterol e hipertensão (filha de pais com essas doenças) com 30 anos.
Isso sem falar da minha gravidez: tive pré-eclâmpsia e, por conta de uma pressão alta gestacional, a Luiza nasceu prematura - em 2002 - e passei 8 meses assustada, com medo. Um dia acordei e, incentivada pela Daniela Paulino, que também havia feito, decidi que era a minha hora. Fiz os exames, passei pelas avaliações (nutricional e psicológica) e no dia 2 de dezembro de 2004 lá tava eu, entrando na faca. Os primeiros dois meses foram terríveis, devo confessar. Você tem que reaprender a comer, a se relacionar com a comida, com você, com os outros. Mas digo que vale a pena. Do meu guarda-roupa só sobraram as meias e até alguns sapatos eu tive que doar porque ficaram largos.
Eu sou um case de sucesso e toda vez que volto ao meu médico, o Dr. Leal, (procuro fazer isso uma vez por ano) ele diz isso. Mantenho meu peso entre 60 e 65 quilos (atualmente estou com 60,700 gramas) e digo com certeza que nunca mais serei gorda. Não quero mais comprar calça 52/54, não pretendo entrar numa loja e procurar roupas especiais. E olha, que há seis anos, a oferta para as gordinhas não era nem de longe o que temos hoje. Gordo se vestia com túnicas e pronto.
Sou uma pessoa vaiodosa e, mesmo com todo aquele peso, nunca abri mão dos meus saltos. Mas confesso que hoje é uma delícia entrar num manequim 42 e chegar numa loja qualquer para comprar uma roupa. Quando eu digo que não serei mais obesa eu sei do que estou falando. Porque se eu me descuidar, comer doces e carboidratos feito uma louca, eu vou engordar. Assim como qualquer pessoa que abusa de vez em quando, eu fecho a boca para compensar. Não como tão pouquinho, como normal, diria. Demoro mais pra mastigar? Sim, mas nada tão radical. Como e bebo de tudo.
Diferentemente de algumas pessoas que encararam uma redução de estômago não tenho restrição a nada. Tá, farofa é um bagulho que eu como pouco, porque costumo me entalar. Também evito alimentos gordurosos, que me provocam o famoso dumping (quando o açúcar é metabolizado muito rápido, causando um puta mal-estar). No resto, tudo de boa. Tomo um Centrum por dia, mas prefiro um polivitamínico a um anti-hipertensivo, não resta a menor dúvida.
Sei que minha cirurgia deu certo porque nunca fui compulsiva por comida. Comia errado. Não operei a cabeça, mas ela mudou muito desde então. E pra melhor. Podia ter feito o combo atividade física e dieta? Podia. Só que quanto tempo eu demoraria para emagrecer os 45 quilos que eu mandei embora em alguns meses? Teria paciência? Fiz o que achei melhor na época e tive o apoio da família e dos amigos. Preciso agora tomar coragem para fazer uma plástica, mas morro de medo, vai entender. Um dia, assim como aconteceu com a gastroplastia, eu acordo no espírito e decido fazer.
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