sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Luiza, a Fifi

Fiz esse texto pra Fifi, há anos... Ela tinha dois anos e pouco.. agora, ela tem 8. E continua uma joaninha enfeitando cogumelos!!!!!


Eu tinha 11 anos. Lembro que ouvi a mãe chamando: “Luiza, vem cá”. Paixão à primeira vista. Jurei que teria uma Luiza na minha vida. Era dia 20 de fevereiro de 2002, um dia antes do meu aniversário de 28 anos. Vinha de um processo doloroso e depressivo. Com idas e vindas, recaídas e problemas. O resultado “reagente” foi assustador. Mas foi a partir deste dia que a minha vida mudou de verdade.
Luiza (sempre soube que seria ela) me trouxe de volta: aos planos, ao trabalho, ao amor incondicional. Luiza nasceu iluminada, em uma terça-feira, às 17h58 do dia 8 de outubro. Tão pequena, tão indefesa, prematura. Mas tão forte, capaz de fazer de mim uma pessoa melhor.
Luiza fez 3 anos ontem. Cada vez menos precisando de mim. Cada vez mais requerendo meu controle, meu exemplo. Olho para seus olhos grandes e expressivos. Percebo que ela se orgulha da mãe que tem. Da mãe que conseguiu criar tão de repente.
Luiza é milha filha. Luiza é minha amiga. Luiza é a neta da Dodó Claudia e da Dodó Lilian. É a sobrinha dos tios a quem tanto ama e dá carinho. É a neta do Dudu Zé e a bisneta mais perfeita para seus quatro bisavós. Luiza é a prima ideal para seus primos.
Luiza tem lá seus defeitos. Luiza é uma mistura do meu temperamento difícil, minha boca, meu nariz, com o corpo esguio e os sonhos meio impossíveis do pai.
Sim, Luiza já sonha. Às vezes - e é uma pena - tem pesadelos que a acordam no meio da noite. Luiza faz carinho enquanto a gente dorme. Luiza dorme abraçada com uma joaninha de pano, a quem apelidou, desde muito pequena, de Cuncun. A vida da Luiza é cheia de cuncuns. Ela é uma cuncun: que voa, que pousa, que enfeita cogumelos, que deixa a vida mais redonda, mais meiga, mais dócil.
Luiza não toma leite de vaca. Luiza gosta dos derivados de soja, de balas molinhas, de pipoca e de docinhos. “Quero alguma coisa gostosa para comer, mamãe”, me avisa ela abrindo a geladeira. Luiza já conhece letras, números e digita seu nome no computador quando vai jogar no site da Barbie. Luiza adora Barbies, principalmente as que têm asa, assim como ela. Diz Dani, minha amiga e, desde a gravidez, amiga da minha filha, que “ela tem uma alma antiga”.
Luiza é amor. Por onde passa, exala amor. Até quando não percebe, até quando não quer dar um beijo naquela tia que acabou de conhecer. A Luiza não tem medo de encarar o teu olho, seja você quem for. Ela diz que vai virar homem quando crescer, que vai ter barba e bigode. E quem sou eu para duvidar de Luiza?

Um comentário: