quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Acabo de ler um texto sobre pessoas que largam suas carreiras e vão pra longe. Atrás de suas vidas. Esse pensamento não sai da minha cabeça e hoje, no almoço com os amigos do trabalho, falei disso, dessa minha necessidade de mudar. Inclusive de cidade. Nunca ultrapassei a fronteira entre duas cidades em 42 anos. Esse processo de mudança não nasceu do dia pra noite. Começou mais especificamente há um ano e funcionou pra mim como a chegada de Cristo. Eu era uma antes e virei outra depois. É como se aqui não me coubesse mais, mesmo querendo cada vez menos. Um amigo, também hoje, me disse que o Sebrae está com uns cursos ótimos e que deveríamos tocar pra frente um projeto de melhoria de atendimento. Não quis ser a corta tesão, mas se tem uma coisa que eu sei que não quero é empreender. Eu mal quero ter conta no banco e cartão de crédito, quanto abrir empresa, pagar imposto. Não tô a fim de recomeçar nesse tipo de começo. Quero outro. Talvez a vida esteja me chutando pra vida. E as perdas que tive ao longo dela me expliquem isso. Enquanto vejo as pessoas da minha geração perdendo avós e avôs, já enterrei meu pai, minha irmã, meu irmão e até minha mãe que, apesar de viva, deixou de estar com a gente desde o dia 12 de julho de 2012, depois de um AVC muito grave. Isso sem falar das primas que se foram precocemente e da minha tia. Além dos dois maridos que se foram. Não tenho dúvida nenhuma que a vida pode me tirar mais. E isso não tem nada a ver com um pensamento melancólico ou triste ou depressivo. É apenas a realidade, os acontecimentos. Tenho pensado e pensado que a única coisa que a vida está me me mostrando é que não posso perder meu tempo. Tempo de fazer o que quero, o que preciso, o que me coração quer. Já joguei pro universo, como aconselhou uma amiga minha. Ele sabe das coisas. A vida, também. Estou pronta pra ir. Pra qualquer lugar: Gamboa, Nova York, Toscana ou pra casinha de sapê longe daqui.

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