sexta-feira, 3 de março de 2017

A felicidade é a minha endorfina

Eu vejo algumas pessoas e penso: que bom que eu não sou elas. Principalmente no quesito tristeza. Eu poderia, sabe, ser uma pessoa triste. Daquelas amargas, das que reclamam da vida, se lamentam. Minha história de vida permite isso. Perdi meu pai aos 12 anos e ele se foi praticamente na minha frente, vi minha mãe tendo uma AVC e, enquanto a acompanhava na ambulância, não fazia ideia de que aquele 12 de julho de 2012 não iria acabar tão cedo - como não acabou até hoje. Perdi minha irmã mais velha, meu mano querido que morreu triste e deprimido, afastado de todos. Eu poderia. Mas eu faço questão de não ser. Eu luto contra a dor e contra a tristeza todos os dias. Eu faço a dor dançar, como ensinou a Marisa Monte. Eu faço graça de mim, da vida, das pessoas. Porque eu gosto muito da vida. E tenho muito sorte, porque eu mesma nunca passei por uma doença grave. Eu tenho uma filha, uma irmã muito diferente de mim, uma sobrinha, um sobrinho e um amor. Tenho amigos, primos, tia. Amo a minha profissão. Eu gosto da praia, da água do mar, da natureza, eu quero conhecer Nova York e quantas praias paradisíacas forem possíveis. Quero voltar a Aruba para ver aquela vista que eu nunca mais esqueci ou ao boteco em Aguas Calientes, em Machu Pichu, pra encher a cara de Pisco Sauer, Como alguém que já viu e viveu tanta coisa linda pode deixar a tristeza dominar? Ainda mais sabendo que há tanto para ver e descobrir? Eu me exercito sendo feliz, é a minha endorfina. Claro que tem dias que eu canso, que eu simplesmente quero desistir de tudo e ficar triste. Não dura muito. Eu não deixo. Como vi um vídeo hoje, eu não sei se vou estar viva semana que vem. Nem amanhã. Hoje eu estou e hoje eu sei que estou feliz.

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