segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A história do Severina

Dona Lilian e seo Walber já nem queriam mais filhos. Tinham três e o mais novo, Júnior, já contava à época com 11 anos. Até que a surpresa. Ela estava grávida. Lá pelo terceiro mês, ao descer de uma escada, Dona Lilian teve um sangramento forte. Logo o médico decretou: a senhora sofreu um aborto. Um mês se passou e ela continuava grávida. Como assim? Pois é, era uma gravidez gemelar. Há 41 anos a Medicina era bem diferente e os recursos da família Lyra não eram lá essas coisas. Enfim, mais filho a caminho. Se fosse menino ela seria Walder (horrível) e menina Lívian (pela mãe) ou Lívia (pelo meu pai). Graças a Deus escapou ilesa de tudo isso e por uma dessas forças da natureza virou Thais (sem acento, como consta na certidão). Mas (e sempre tem um) acabou herdando o sobrenome materno: Severina Ferreira. As irmãs, adolescentes naquele meio dos anos 70, já carregavam essa maldição. Valéria e Cristina Severina Ferreira Lyra. O irmão, por ser Júnior, tinha se livrado. A pequena Thais, nascida às 14h30 do dia 21 de fevereiro de 1974, apesar das súplicas e dos argumentos das irmãs mais velhas, foi batizada de Thais Severina Ferreira Lyra. Claro que cresceu ouvindo chacotas, principalmente em decorrência do Genival Lacerda e de sua insuportável Severina Chique Chique que comprou uma butique para a vida melhorar. E quando ela, adolescente, pensava estar livre dos sarros, eis que surge uma banda americana, The Mission, e lança um hit: Severina (fale isso com sotaque, fica pior ainda). Enquanto treinava sua assinatura, colocou o acento agudo no Thaís e, logicamente, apenas o Lyra. Quando entrou na faculdade, seu nome profissional já estava escolhido e eternizado: Thaís Lyra.  E hoje, quando alguém a chama de Thais Severina Ferreira Lyra, ela simplesmente diz: não conheço ninguém com este nome. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário