Outro texto achado no e-mail. De 2007.
Quando a secretária disse, "doutor, tem um Sedex para o senhor", ele ficou assustado. O que seria, afinal? Ainda mais porque ele desconhecia o remetente. Olhou novamente o destinatário e o nome batia. Foi abrir assustado.
Embrulhada em um papel-manteiga, uma bússola. Com a seguinte carta:
"Caro A,
Espero sinceramente que você se encontre. Que pare um pouco, que deixe para trás os relacionamentos que não acrescentam, que não fomentam, que não mexem. Que você escolha um lado para seguir e siga, sem se importar com nada ou ninguém, apenas com o seu conturbado coração. Não adianta tapar buracos com relações desgastantes, perder seu tempo com mulheres nada a ver só para curar uma história que não foi para frente. Também não adiantam os encontros comigo nas madrugadas, nos dias solitários, me mandar mensagens indecifráveis nas sextas e sábados, e nas segundas nunca atender a meus telefonemas. Eu torço muito por você e quero sua felicidade, mais do que você possa imaginar. Mas muito mais do que querer sua felicidade eu quero a minha. E este presente foi a forma de me despedir desta história. Faz um ano e oito meses que a gente sai junto. Faz muito tempo que você diz as mesmas coisas, que você usa as mesmas desculpas para as mesmas coisas. Devo confessar que aquela sexta-feira, de todas as vezes em que ficamos juntos, foi a mais especial. Nós rimos, nós conversamos e nos entendemos de uma forma que nunca tinha acontecido. Mas eu não quero isso para mim. Porque no sábado eu pensei demais em você. E no domingo também e eu te mandei uma mensagem, com todo meu coração e, claro, você ignorou. Porque o que você me dá é pouco. Muito aquém do que quero, do que preciso. Estou fugindo. Porque eu comprei duas bússolas. E o meu caminho eu quero muito seguir.
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